A Política Brasileira sob o Olhar de Fernanda Torres
A renomada atriz Fernanda Torres fez uma analogia entre o clima político no Brasil e o ‘Telecatch’, um tipo de luta livre encenada que fez sucesso nas telinhas brasileiras entre as décadas de 1960 e 1980. Em sua visão, a política nacional se transformou em um espetáculo, onde o debate sério é relegado a um segundo plano.
Em uma coluna publicada na Folha de S.Paulo em 2019, Fernanda descreveu a situação política do país como um cenário que se assemelha menos a Shakespeare e mais a uma rinha tumultuada. Nesse contexto, ela destacou a figura do deputado Felipe Rigoni, a quem chamou de ‘um alento de clareza e sensatez’. Para a atriz, Rigoni se destaca como um raro exemplo de moderação em um ambiente cada vez mais hostil e polarizado.
A atriz também fez menção ao movimento Acredito e à atuação da deputada Tabata Amaral, elogiando seu papel no Congresso. Tabata, segundo Fernanda, ‘desferiu o golpe fatal’ ao cobrar medidas concretas do então ministro da Educação, Vélez Rodríguez, exigindo transparência e responsabilidade em suas ações.
Reflexões sobre a Moderção na Política
O texto de Fernanda Torres faz parte de uma série de crônicas que têm grande repercussão na Folha, relembrando momentos marcantes das colunas do jornal. Essa iniciativa é uma das diversas ações em comemoração aos 105 anos da publicação, que ocorrerá em fevereiro de 2026.
Na coluna, a atriz revisita a situação da política britânica, fazendo uma analogia com a experiência de Theresa May durante as discussões sobre o Brexit. O cenário repleto de hostilidade no Parlamento britânico é comparado ao ambiente caótico do Congresso brasileiro, onde a política parece mais uma encenação teatral do que um espaço para debate sério.
No Brasil, segundo Fernanda, o panorama é marcado pelo mesmo tipo de barulho e confusão que se observava nas arenas de Telecatch, recheado de performances e confrontos mais voltados para o espetáculo do que para a efetividade das soluções. A autora menciona Rigoni, que é fruto da nova geração de políticos que busca sair do padrão tradicional, ao mesmo tempo que as velhas práticas continuam a dominar a cena política.
O Papel da Nova Geração de Políticos
Felipe Rigoni, deputado federal e membro do movimento Acredito, que preza pela formação de novos líderes políticos, representa uma diversidade de pensamento em um ambiente marcado por extremos. Ele se define como ‘liberal na economia e progressista nos costumes’, tentando encontrar um espaço de diálogo em um cenário político saturado de polaridades.
O papel de Tabata Amaral também é enfatizado por Fernanda, especialmente sua atuação incisiva na sabatina do ministro Vélez. A cobrança de transparência e a demanda por um planejamento claro em relação ao futuro da educação no país são vistas como fundamentais para uma política mais responsável e eficaz.
A Crítica ao Governo e à Oposição
A crítica se estende também à gestão de Paulo Guedes, ministro da Economia, cuja postura tem sido alvo de reprovação. Fernanda expressa seu incômodo com a falta de diálogo e a abordagem pragmática do ministro, que ignora questões essenciais para a população. No entanto, ela reconhece a necessidade de responsabilidade por parte de todos os envolvidos na política.
Em suas reflexões, a atriz utiliza a metáfora teatral para discutir a reforma da previdência e a falta de um debate de qualidade. Para ela, a falta de envolvimento dos parlamentares favoráveis à reforma é um reflexo do amadorismo observado na atual administração, que, por sua vez, gera um ambiente propício à desinformação e à ineficiência.
Concluindo seu texto, Fernanda Torres sugere que a oposição e a política, de maneira geral, precisam abandonar o dramatismo excessivo e focar em soluções reais para os problemas do país. Essa busca por um espaço mais produtivo e menos barulhento é um convite para que a política brasileira retome um caminho de debate e construção conjunta.
