Ascensão no Futebol Mato-grossense
BRASÍLIA E SÃO PAULO – Em um movimento que promete agitar o cenário futebolístico, Francisco Schertel Mendes, diretor-geral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), assumiu em dezembro o cargo de vice-presidente da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF). Filho do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Francisco ingressou na federação por meio de uma chapa liderada por um assessor de deputado estadual, que já presidia o tribunal desportivo local. Sua entrada como terceira via indica uma mudança significativa na política esportiva do estado.
A disputa pelo controle da FMF, intensificada pela presença de Luís Otávio Veríssimo, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), revela a ampla influência de figuras poderosas no futebol brasileiro. Veríssimo, por sua vez, tem promovido uma série de atividades que fortalecem a interação entre as federações e os clubes, inclusive liderando uma excursão por países europeus onde Francisco Mendes fez discursos para outros cartolas.
No Mato Grosso, um estado que, tradicionalmente, não tem grande peso no cenário do futebol brasileiro, Francisco já está por trás de inovações notáveis. Entre essas, a implementação do sistema de árbitro de vídeo (VAR) pela primeira vez no campeonato estadual e um contrato de transmissão que cobre todas as partidas da competição. Além disso, sua atuação na CBF está rapidamente alinhada com as principais iniciativas de modernização do esporte.
Um Cartola em Brasília
Apesar de suas origens familiares e negócios no Mato Grosso, Francisco reside e trabalha em Brasília. No registro da chapa que concorreu à FMF, ele fez questão de indicar o endereço na capital federal, situada a mais de mil quilômetros de Cuiabá. Essa dualidade de localização pode ser um fator estratégico para ampliar seus contatos e influência no futebol nacional.
À frente da FMF, o advogado Diogo Amorim Pécora, que até recentemente era assessor na Assembleia Legislativa do Mato Grosso, assume oficialmente a presidência. Pécora, de 35 anos, já confirmou seu “alinhamento com a CBF” e enfatizou que todas as decisões da nova gestão serão coletivas, garantindo a participação de todos os vice-presidentes da federação.
Faltando apenas uma semana para a eleição que ocorreu no dia 2 de dezembro, Pécora teve um encontro com Samir Xaud, presidente da CBF, em São Paulo, onde saiu do encontro com uma sensação de apoio forte por parte da confederação, o que pode ter sido crucial para sua vitória nas urnas.
Impacto das Inovações no Futebol
No âmbito financeiro, a CBF Academy registrou arrecadações significativas, com R$ 5,9 milhões em 2024 e R$ 9,2 milhões em 2023. O contrato firmado entre o IDP e a CBF destina 84% da receita ao IDP e 16% à confederação, demonstrando a relevância das parcerias no desenvolvimento das infraestruturas e programas de formação no futebol.
O presidente do STJD, por sua vez, atuou em favor da chapa na qual Francisco Mendes foi eleito vice. Inovações como a realização de sessões itinerantes do pleno e de uma comissão disciplinar do tribunal em Cuiabá também foram destaque, buscando aproximar a justiça desportiva das diversas realidades regionais. Essa estratégia, promovida por Diogo Pécora, trouxe prestígio e visibilidade ao novo presidente do tribunal local.
O Papel do Ministro Gilmar Mendes
A influência do ministro Gilmar Mendes, por sua vez, não pode ser subestimada. Ele desempenhou um papel crucial ao garantir a continuidade de Ednaldo Rodrigues na presidência da CBF, mesmo após denúncias de irregularidades. Mendes, que é relator do caso, pediu uma nova apuração sobre a situação de Rodrigues, que culminou em seu afastamento definitivo, evidenciando como as decisões políticas muitas vezes se entrelaçam com o mundo do esporte.
A condução do IDP, onde Gilmar Mendes exerce forte influência, estabelece uma linha direta entre a política e o gerenciamento do futebol brasileiro. As ações do novo vice-presidente da FMF, Francisco Mendes, tendem a moldar não apenas o cenário local, mas também a forma como o futebol é administrado em outras regiões do Brasil.
