Uma Noite de Música e Memórias
O Cine Teatro Cuiabá se prepara para receber a pré-estreia do aguardado álbum “Rabecaju”, que conta com 13 faixas e será lançado em todas as plataformas digitais no dia 13 de fevereiro. O evento promete oferecer uma experiência musical única, com tradução em Libras e ingressos disponíveis no Sympla. Para participar, basta levar 2 kg de alimento não perecível e garantir sua entrada.
Com uma proposta que mistura memórias e vivências, “Rabecaju” é uma coletânea que explora a relação de Caju com a rabeca, um instrumento que simboliza movimento e transformação. A obra, inspirada nos folguedos “molhados” de rabeca e em ritmos típicos como rasqueados e siriri, traz uma sonoridade rica, integrando ganzás, mochos, violas de cocho e sanfonas, além de vozes que refletem territórios e histórias do Brasil.
Um Convite à Experiência
Segundo Caju, o álbum representa uma travessia rítmica entre seu corpo – que se identifica como trans e fluido – e a rabeca, que possui sua própria identidade e história. “Rabecaju” não se limita a novas composições; traz também reinterpretações de músicas conhecidas, como a faixa “Girandeira”, que ganhou uma nova versão com o Coral Infantil Cantos do Cerrado. Adicionalmente, o álbum conta com gravações inéditas em colaboração com o Grupo de Siriri Flor do Cambambi e uma emocionante faixa que envolve quatro artistas LGBTs: Cris Chaves, A Luisa Lamar, Mônica Seven e Estela Ceregatti.
No dia do show, o público poderá apreciar participações especiais, como a dançarina Adriana Achla, que fez parte do clipe de “Girandeira”, e o ator Andreel Ferreira, que apresentará uma performance como Boi Cativa. Caju enfatiza que os espectadores não devem esperar apenas um show musical, mas sim um convite para uma experiência sensorial única. “O álbum traz trovas, ruídos, poesia e até silêncio, elementos raramente utilizados na música moderna, mas que reconhecem a potência de todas as formas de vida que resistem e celebram”, declara o artista.
A Arte da Rabeca em Movimento
Caju da Rabeca, produtor cultural e multiartista, explica que o conceito de “folguedos molhados” se refere precisamente à mistura de sons e sentidos presentes em sua obra. Para ele, a rabeca transcende seu papel como instrumento: é uma extensão de seu corpo, uma memória viva e uma tecnologia ancestral que conta histórias e dá voz a experiências corporais diversas. “São registros autorais, escalas e elementos variados. Fui inserindo paisagens sonoras que evocam a natureza da Chapada — o vento, o barulho da água do rio e o canto das cigarras, todos entrelaçados com a rabeca”, revela Caju.
O álbum “Rabecaju” é mais que uma coleção de músicas; é uma experiência que transforma som em paisagem e poesia em trova. É um projeto que transita entre diferentes linguagens sonoras, criando um organismo vivo, que se expressa através de uma sensibilidade única.
Caju conclui: “Rabecaju é um organismo sonoro. Um gesto de registro e um ato de resistência. A memória aqui é viva — corpórea, transmissível e sensível. É uma voz que recita poesia, o atrito do arco nas cordas, as toadas e até os silêncios entre as trovas”.
Serviço: Show de Pré-estreia do Álbum ‘Rabecaju’
Quando: sábado (31.1), às 20h30
Onde: Cine Teatro Cuiabá
Entrada: 2 kg de alimento não perecível + retirada do ingresso no site Sympla
