Novas Conquistas para as Cuidadoras de Alunos com Deficiência
A valorização das Cuidadoras de Alunos com Deficiência (CADs) na rede municipal de Cuiabá tem gerado grande comemoração entre os profissionais da área. Recentemente, a Prefeitura implementou um novo processo seletivo e a contratação direta das CADs, elevando a categoria a um novo patamar de reconhecimento e valorização profissional. O avanço mais significativo está na remuneração: os salários, que antes variavam entre R$ 800 e R$ 1.800 até 2025, agora superam os R$ 3.000 para jornadas de 40 horas semanais, garantindo que nenhuma CAD receba menos de R$ 2.368,14 para cargas de 30 horas.
Além do aumento financeiro, as profissionais também destacam melhorias na organização do trabalho, no acolhimento institucional e na formação continuada. Para aquelas que lidam diariamente com crianças com deficiência e necessidades educacionais especiais, essa valorização reflete diretamente na qualidade do atendimento, na dedicação ao cuidado e na segurança emocional das equipes.
Compromisso com a Valorização Profissional
Letícia Ceron, diretora de Ensino, enfatizou que o novo processo seletivo foi elaborado para garantir eficiência e, sobretudo, respeito às profissionais. “Nosso objetivo foi estruturá-lo com critérios técnicos, promovendo transparência e agilidade. Essa abordagem permite que as CADs sejam convocadas de forma organizada e com segurança, assegurando que todas as escolas iniciem o ano letivo com equipes completas e valorizadas,” afirmou.
Entre os que celebram essa evolução, está Natan Figueiredo da Silva, de 25 anos, que atua como CAD desde 2021. Ele recorda que seu início foi marcado por baixos salários e contratos instáveis. “Na minha entrada, a média salarial era em torno de R$ 1.200. Depois, subiu para R$ 1.600 e R$ 1.800. Agora, com a nova gestão, a expectativa é de que cheguemos a quase R$ 3 mil. Essa mudança muda drasticamente nossa realidade e aumenta nossa motivação na carreira,” compartilhou.
A Experiência Transformadora na Profissão
Natan destaca que ser CAD vai além do cuidado básico. Acompanhar o progresso das crianças é uma das maiores recompensas de sua função. “Ver a criança aprendendo a ler, participando das atividades e desenvolvendo laços com outros alunos é algo que transforma não só a vida dela, mas também nos transforma como profissionais e seres humanos,” explicou.
Outra profissionais que aderiu à profissão é Renata, de 38 anos, que trocou a carreira de cabeleireira por essa nova jornada. “Decidi mudar completamente de área ao me encantar com o cuidado e acompanhamento das crianças. Hoje me sinto realizada e, com a valorização salarial, percebo um maior respeito e reconhecimento,” afirmou.
Impacto Positivo nas Relações e no Desenvolvimento das Crianças
Renata também comenta que o aumento salarial reflete diretamente na relação com as famílias e no desenvolvimento das crianças atendidas. “Quando trabalhamos com segurança, conseguimos nos dedicar ainda mais ao cuidado e ao apoio pedagógico das crianças,” ressalta.
Adriane, de 39 anos, que atua como CAD há três anos, também vivenciou as incertezas do modelo anterior. “Vivia uma angústia enorme ao final de cada ano, sem saber sobre a renovação do contrato. Hoje, sinto-me amparada. O processo foi organizado e nos deu segurança para trabalhar,” comentou.
Ela acrescenta que o aumento salarial representa dignidade e estabilidade. “Saímos de R$ 1.200 para R$ 1.800, e agora estamos chegando a mais de R$ 3.000. Para quem lutava para fechar as contas, isso é um salto gigantesco. Hoje me sinto valorizada e reconhecida como profissional,” afirmou.
Importância da Formação Continuada e Inclusão
As CADs também destacam a importância da formação continuada e das políticas de inclusão, que fortalecem o papel dessas profissionais nas escolas. Elas são fundamentais no apoio à autonomia, no acompanhamento pedagógico, na socialização e no desenvolvimento emocional das crianças com deficiência, contribuindo para uma educação inclusiva de qualidade.
