Resultados do Exame Revelam Desafios na Formação Médica
Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025 foram divulgados na última segunda-feira (19) pelos ministérios da Educação (MEC) e da Saúde (MS). Dentre os 351 cursos avaliados, 107 foram considerados insatisfatórios, pois não alcançaram o nível mínimo de proficiência exigido para a formação de médicos.
O Enamed, uma modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) voltada para cursos de medicina, é fundamental para avaliar o desempenho dos alunos que estão se formando e funciona como critério de seleção para os processos de residência médica. A escala de avaliação do exame varia de 1 a 5, com a nota 1 representando o pior desempenho possível. De acordo com os dados,:
- 24 cursos obtiveram nota 1;
- 83 universidades alcançaram conceito 2;
- 80 cursos ficaram com conceito 3;
- 114 atingiram conceito 4;
- 49 chegaram ao conceito máximo, 5.
Os resultados mais preocupantes foram registrados em instituições privadas e municipais, enquanto as universidades públicas federais e estaduais se destacaram com as melhores notas.
Medidas de Supervisão e Ações Corretivas
Em resposta a esses resultados, o MEC anunciou uma série de medidas de supervisão imediata para os cursos que receberam os conceitos 1 e 2. Do total de instituições com desempenho insatisfatório, apenas 99 estarão sujeitas a ações corretivas, uma vez que as universidades estaduais e municipais não estão sob a gestão imediata do MEC.
As intervenções serão implementadas de maneira escalonada, levando em consideração o percentual de alunos considerados proficientes, com supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres). As ações propostas incluem:
- Faixa 1: suspensão de novos ingressos em cursos com menos de 30% de alunos proficientes (8 cursos);
- redução de 50% na quantidade de vagas para cursos com proficiência entre 30% e 40% (13 cursos);
- Faixa 2: diminuição de 25% na oferta de vagas para cursos com proficiência entre 40% e 50% (33 cursos); e
- proibição de ampliar vagas para cursos com mais de 50% de proficiência (45 cursos).
Além dessas restrições, os três primeiros grupos estarão impedidos de aumentar suas vagas e terão a participação no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e em outros programas federais suspensa até a publicação do próximo Conceito Enade, previsto para 2026.
Análise Detalhada dos Resultados
Um levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) revelou que o Enamed avaliou 89.024 estudantes e profissionais de medicina, dos quais 75% demonstraram proficiência. Entre os 39.258 concluintes dos cursos de medicina, apenas 67% atingiram o padrão mínimo, resultando em cerca de 13 mil estudantes com desempenho abaixo do desejado.
O exame abrangeu competências essenciais na prática médica, incluindo clínica, cirurgia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, além de medicina de família e comunidade. No público geral, que contempla médicos já formados e inscritos no Exame Nacional de Residência (Enare), o índice de proficiência subiu para 81%.
Papel do Enamed na Educação Médica
O Enamed não serve apenas como um instrumento para avaliar a qualidade das instituições, mas também tem um papel crucial na carreira médica. A nota obtida no exame é um pré-requisito para ingresso na residência, influenciando diretamente a classificação nos processos seletivos.
O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou a importância do exame como ferramenta para aprimorar as instituições de ensino. “É uma forma de identificarmos as correções necessárias e garantirmos um ensino de qualidade. O objetivo é monitorar e melhorar a formação dos futuros médicos,” afirmou.
