A Importância da Dignidade Humana na Educação
No último dia 16, durante o 35º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), realizado em Brasília, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, destacou que a dignidade humana é fundamental para se garantir uma educação de qualidade. O evento, que reúne mais de 2 mil educadores, tem como foco discutir temas essenciais como democracia, sustentabilidade e soberania.
Participando do painel intitulado “Diversidade e Sustentabilidade Socioambiental”, a ministra, que possui uma carreira dedicada à educação, enfatizou a importância dos movimentos sociais em sua formação. Ao citar o educador Anísio Teixeira, Evaristo reafirmou que a escola pública deve ser vista como a “fábrica” da democracia no Brasil, ressaltando a urgência de transformar os direitos humanos em práticas concretas, evitando que se tornem meros jargões sem aplicação real.
“Não se pode assegurar o direito à educação sem uma política que valorize o trabalho, o salário mínimo e os direitos humanos”, afirmou a ministra com firmeza. Sua fala foi acompanhada por Carlos Furtado, secretário de combate ao Racismo da CNTE, e Izabel Gomes Cristina da Costa Paolino, representante do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ).
Educação como Política Pública Estruturante
A ministra Macaé Evaristo também abordou a necessidade de que a educação em direitos humanos se torne uma política pública contínua e integrada. Para ela, apesar dos desafios atuais que dificultam essa agenda, é essencial que a educação trabalhe para incluir a diversidade e a sustentabilidade em seus princípios.
“Devemos olhar para dentro das nossas escolas e refletir como a educação em direitos humanos deve estar intimamente ligada à maneira como concebemos a educação, contemplando todos os envolvidos: estudantes, professores e toda a comunidade escolar”, enfatizou Evaristo.
A Relação entre Soberania e Identidade
Além disso, a ministra defendeu a soberania nacional como um pilar para garantir a dignidade de todos os cidadãos. Evaristo convocou os educadores a reavaliarem suas abordagens sobre direitos humanos, instando-os a se posicionarem como verdadeiros defensores desses direitos.
“É crucial que estejamos fisicamente presentes na defesa dos direitos humanos. Precisamos articular essa defesa a uma nova visão do direito à educação, que promova pensamento crítico e acesso real ao espaço escolar”, afirmou.
Para a ministra, a educação transcende o simples ato de ensinar, desempenhando um papel vital na humanização dos indivíduos e na construção de um projeto de país que respeite e promova a dignidade humana.
Em sua fala, Evaristo destacou um exemplo preocupante: “Uma escola cívico-militar que proíbe uma menina negra de usar seu cabelo black está não apenas apagando sua identidade, mas também ignorando sua humanidade. Isso é inaceitável”. O alerta da ministra ressoa com os desafios presentes na educação brasileira, onde a inclusão e o reconhecimento da diversidade ainda são temas que precisam ser amplamente discutidos e implementados.
