Um Chamado à Ação pela Saúde Pública
Durante a Sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso na última quarta-feira (14), o deputado Júlio Campos fez um apelo urgente para que a Casa destine uma emenda de R$ 31,2 milhões em favor do Hospital Santa Casa. O objetivo é garantir a continuidade dos serviços prestados por essa instituição centenária, que já atende a população há impressionantes 208 anos. Em seu pronunciamento, Campos enfatizou a importância da união entre parlamentares, o Ministério Público e a Prefeitura de Cuiabá para salvar o hospital, que enfrenta sérios desafios financeiros.
“Se cada deputado destinar em média R$ 1,3 milhão, teremos recursos suficientes para assegurar o funcionamento do hospital. O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, confirmou que irá somar esforços com a Assembleia para viabilizarmos a manutenção da Santa Casa”, declarou Campos, reforçando seu compromisso com a saúde pública na capital e em todo o estado.
A preservação do Hospital Santa Casa é uma das bandeiras prioritárias do deputado. “Estamos lutando para salvar um patrimônio histórico que oferece serviços essenciais, especialmente para a população mais carente de Cuiabá e do Mato Grosso, e que se encontra sob intervenção do Estado há mais de dois anos”, explicou, destacando a relevância da instituição na promoção da saúde local.
Infraestrutura e Serviços Essenciais em Risco
Além de ser um patrimônio cultural, a Santa Casa é equipada com estrutura técnica avançada voltada para a saúde. O hospital conta com mais de cinco centros cirúrgicos e oferece o melhor tratamento oncológico para crianças, além de centenas de equipamentos voltados para hemodiálise e um pronto atendimento infantil. O vice-presidente da ALMT, que também é deputado, fez questão de ressaltar todos esses benefícios durante sua fala.
Durante seu discurso, Campos também mencionou a necessidade de que a Assembleia Legislativa responda a uma solicitação do Ministério Público de Mato Grosso. O promotor Clóvis de Almeida Júnior emitiu uma portaria que visa assegurar a continuidade e a efetividade das políticas públicas de saúde, além de preservar o patrimônio cultural da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá antes que o prazo final de abril se esgote, prazo em que o estado deve assumir novamente a administração do hospital.
Desafios Financeiros e Futuro Incerto
Com o objetivo de evitar a deterioração da instituição após a entrega da administração ao Estado e para quitar dívidas trabalhistas que somam R$ 48 milhões, já foram realizados dois leilões da Santa Casa em 2025, mas ambos não atraíram proponentes. Avaliado em R$ 78 milhões, o primeiro leilão ocorreu em agosto, com um preço estipulado de 70% do valor total, enquanto a segunda rodada de vendas foi feita em outubro, com um valor reduzido para R$ 39,1 milhões, mas ainda assim sem interessados.
A partir de 19 de janeiro, haverá uma transferência escalonada dos serviços de saúde da Santa Casa para o Hospital Central e outras unidades do estado, processo que se estenderá até abril. Campos enfatizou a necessidade de não abandonar a Santa Casa, mesmo com a inauguração do novo hospital. “Não podemos esquecer que fui eu, enquanto governador em 1984, que idealizei e iniciei a construção do Hospital Central. A proposta sempre foi aumentar a capacidade de atendimentos e não substituir a Santa Casa, que continuará essencial devido à elevada demanda de saúde na capital”, concluiu o deputado Júlio Campos, reafirmando seu compromisso em unir esforços pela saúde da população de Cuiabá.
