Estratégia para o Retorno
O ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, está determinado a reintegrar-se à cena política do Estado, com foco nas eleições de 2026. Depois de enfrentar derrotas consecutivas e um desgaste considerável, Taques, que também já foi senador, voltou a ser uma figura ativa ao assumir a presidência do PSB (Partido Socialista Brasileiro). Sua estratégia inclui a busca de apoio em Brasília para se candidatar ao Senado, contando com o respaldo de setores governistas no âmbito federal.
Em dezembro de 2025, Taques formalizou sua filiação ao PSB e, em uma decisão homologada pela Justiça Eleitoral, foi nomeado presidente estadual do partido no dia 7. A cerimônia de posse está prevista para ocorrer em Brasília, com a presença do presidente nacional da sigla, João Campos, e do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB). Essa movimentação está sendo conduzida diretamente com a cúpula nacional, sem envolvimento direto com os líderes regionais em Cuiabá.
Articulação com a Oposição
O nome de Taques também foi mencionado publicamente pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, que o indicou como uma opção da federação Brasil da Esperança (que inclui PT, PCdoB e PV) para a candidatura ao Senado, junto ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD). De acordo com Edinho, a intenção é “montar um palanque forte” em Mato Grosso, visando a reeleição do presidente Lula.
Entretanto, essa sinalização não gerou uma recepção tão positiva no cenário estadual. A presidente regional do PT, Rosa Neide, ressaltou que não há consenso na federação sobre a indicação de um segundo nome ao Senado, afirmando que, até o momento, apenas Fávaro é considerado pré-candidato. Ela disse que qualquer decisão deve ser discutida em conjunto dentro da federação, e não apenas entre os membros do PT. Rosa Neide declarou: “Se tivermos que ter outro nome será da federação. Pode ser do PT, mas por enquanto não tem essa discussão”.
Desafios da Nova Liderança
Taques assume a liderança de um PSB que enfrenta desafios significativos, especialmente após a saída do deputado Max Russi para o Podemos, o que deve resultar na migração de outras lideranças estaduais. A situação é tão crítica que até mesmo o secretário de Estado Allan Kardec não garantiu sua permanência no partido. Esse cenário exige que Taques não apenas trabalhe na reconstrução do PSB, mas também no fortalecimento de sua própria candidatura eleitoral.
Nesse contexto, o ex-governador busca melhorar sua imagem entre os eleitores de Mato Grosso. Nos últimos meses, intensificou sua presença nas redes sociais, criticando a gestão do atual governador Mauro Mendes (União) e abordando erros na administração em relação aos servidores públicos. Essa nova abordagem contrasta com seu estilo anterior, que era mais focado em confrontos e tensões com sindicatos e a imprensa, além de um discurso moralizador.
A Reação aos Conflitos Passados
Esse novo comportamento de Taques ficou claro em 2022, durante sua candidatura na eleição suplementar ao Senado. Em resposta a uma tentativa de impugnação de sua candidatura, ele afirmou que seus adversários estavam “com medo” de sua vitória no pleito. Naquela ocasião, Taques negou qualquer irregularidade, defendeu sua “ficha limpa” e acusou seus oponentes de serem “pau mandado” de grandes empresários.
A articulação atual de Taques reflete o pragmatismo do governo federal, que busca construir palanques competitivos em estados onde o PT não tem um desempenho forte. Mato Grosso se encaixa nesse perfil, uma vez que a esquerda tem presença nas áreas urbanas, mas não detém controle no interior, no setor produtivo e na estrutura governamental.
Convergindo para a Candidatura
O grande desafio para Taques é alinhar as três frentes políticas: a federação Brasil da Esperança, o PSD e o PSB. Sem essa união, sua candidatura pode não ter a viabilidade necessária para se destacar.
Apesar dos avanços em nível nacional, o ex-governador ainda enfrenta uma alta taxa de rejeição, consequência de conflitos durante sua gestão entre 2015 e 2018, que incluíram atritos com servidores e denúncias relacionadas a programas de sua administração. Esse histórico negativo pesa na percepção dos eleitores, especialmente entre os grupos da esquerda, que temem perder espaço político em Mato Grosso.
Se conseguir consolidar alianças a nível nacional, revitalizar o PSB e superar as resistências locais, Taques pode ter uma candidatura competitiva ao Senado em 2026. Caso contrário, ele corre o risco de se tornar apenas mais um nome reconhecido em Brasília, mas sem força na hora da votação em Mato Grosso.
