Servidores: A Base da Saúde Prisional em Mato Grosso
Os dados de atendimento em saúde prisional divulgados pela Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso evidenciam um cenário preocupante e ao mesmo tempo admirável. No ano de 2025, foram registrados mais de 500 mil atendimentos nas unidades penais do Estado. Esse expressivo número deve-se, em grande parte, ao esforço ininterrupto de cerca de 250 profissionais de saúde, que atuam há mais de uma década sem a devida reposição de pessoal, aguardando, desde 2016, a posse de novos concursados.
Esses servidores, que incluem enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, odontólogos e farmacêuticos, são os pilares de uma das áreas mais delicadas do sistema penitenciário. Apesar das longas jornadas, da sobrecarga de trabalho e das condições muitas vezes inadequadas, eles se dedicam a oferecer um atendimento digno às pessoas privadas de liberdade.
A Importância do Atendimento Intramuros
Em 2025, foram realizados 529.262 atendimentos intramuros, abrangendo diversas áreas como enfermagem, farmácia, psicologia e telemedicina. Cada um desses atendimentos representa um servidor presente, atuando de forma proativa para prevenir agravamentos de saúde e salvar vidas. Portanto, é fundamental ressaltar: o atendimento nas unidades prisionais não é um favor, mas uma política de segurança pública essencial.
Quando os servidores garantem cuidados dentro das prisões, eles minimizam a necessidade de deslocamentos externos, o que ajuda a reduzir os riscos de fugas e confrontos armados, além de proteger a sociedade de possíveis atos de violência. Cada atendimento realizado representa uma ocorrência a menos nas ruas, contribuindo para a segurança pública.
Enfrentamento de Doenças Contagiosas
Ademais, o trabalho desses profissionais é crucial no combate a doenças infecciosas dentro do sistema prisional, como tuberculose e escabiose. Ao tratar essas enfermidades internamente, os servidores não apenas protegem os detentos, mas também os seus familiares, visitantes e toda a população. Assim, a saúde prisional se torna uma extensão da saúde pública, e é indispensável reconhecer o papel dos servidores nesse processo.
Economia e Eficiência
Outro ponto a ser considerado é a economia gerada ao atender os detentos dentro das unidades. O Estado evita gastos com escoltas, viaturas, combustível e diárias, demonstrando que a valorização das equipes multiprofissionais deve ser vista como um investimento, e não um custo. Esse investimento traz retornos concretos em termos de segurança e eficiência administrativa.
Os dados apresentados pela SEJUS revelam apenas uma fração do trabalho realizado por essa categoria. Além dos serviços de saúde, esses profissionais também participam da assistência material, educação, capacitação profissional e processos de ressocialização. Eles são, na prática, os responsáveis pela implementação das políticas penais previstas em lei.
Valorização e Reconhecimento
Como representantes do movimento sindical, é vital afirmar que não há um sistema penitenciário eficiente sem servidores valorizados. O reconhecimento da dedicação e do esforço desses profissionais passa pela urgente necessidade de recomposição do quadro de funcionários e pela melhoria das condições de trabalho e respeito institucional.
Os servidores da saúde no sistema penitenciário formam um elo essencial nas políticas de segurança pública e ressocialização. Ignorar essa realidade é comprometer a força do sistema; valorizá-los é fortalecer o Estado e garantir a segurança da sociedade.
Assim, a luta pela valorização e pelo reconhecimento desses profissionais é uma questão de saúde pública e segurança, que deve ser prioridade nas agendas de políticas públicas.
