Inflação e Sazonalidade Agrícola Elevam Custo dos Alimentos
O início de 2026 já marca um recorde preocupante para a cesta básica em Cuiabá, que alcançou o valor médio de R$ 809,75. Esse montante representa o segundo maior preço já registrado na capital mato-grossense, refletindo uma pressão considerável decorrente do alto consumo, demanda acentuada e produtos típicos do final de ano, o que elevou a inflação dos alimentos.
Esse elevado custo da cesta básica consome aproximadamente 50% do novo salário mínimo de R$ 1.621, que os trabalhadores cuiabanos devem começar a receber ao final deste mês. De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), o custo médio da cesta básica aumentou 3,61% em comparação ao último mês de 2025, quando o valor estava em R$ 781,56.
A comparação anual revela um aumento médio de 1,32% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a cesta básica tinha um custo médio de R$ 799,19. Essa elevação nos preços sugere que as pressões inflacionárias observadas no final de 2025 continuam a impactar o mercado de alimentos no início deste novo ano.
Principais Itens da Cesta Básica em Alta
Entre os itens que compõem a cesta básica, o tomate se destaca pela alta significativa de preços. O custo médio deste alimento subiu para R$ 7,43 por quilo, apresentando uma variação de 57,21% se comparado aos preços da segunda semana de dezembro de 2025. Esse aumento pode ser atribuído ao ciclo agrícola, já que algumas lavouras ainda não estavam prontas para a colheita, resultando em uma oferta reduzida.
A batata, outro item essencial, também viu seus preços aumentarem em 18,30%, alcançando R$ 4,67 por quilo. Assim como o tomate, a batata enfrenta problemas de oferta, com algumas lavouras não entregando produtos de qualidade suficiente, o que, por sua vez, tem contribuído para o aumento dos preços.
Marco Pessoz, presidente interino da Federação, ressaltou a influência da sazonalidade agrícola nessa dinâmica de preços. “Enquanto certos produtos da cesta básica enfrentam alta devido à redução da oferta com o término das safras, outros têm visto queda de preços sustentada por estoques elevados e baixa demanda, o que ajuda a mitigar parcialmente o impacto inflacionário sobre a cesta”, comentou Pessoz.
Exceção: Queda no Preço do Arroz
Por outro lado, o preço do arroz apresentou uma redução de 3,70%, caindo para R$ 4,61 por quilo. Essa diminuição contrasta com o cenário de alta dos outros produtos, sendo causada pela boa oferta tanto na safra atual quanto nos estoques, além de uma demanda estabilizada que contribuiu para os preços mais baixos.
Pessoz completou sua análise afirmando que “o crescimento observado no custo da cesta básica é principalmente influenciado por produtos com maior peso na composição e significativa variação no período, como o tomate e a batata”. Essa questão sublinha a necessidade de acompanhamento atento das dinâmicas de mercado e da agricultura para entender os fatores que impactam o custo de vida na região.
