Transformação Logística no Agronegócio
O projeto da Ferrovia Estadual de Mato Grosso está ganhando velocidade, com um avanço significativo de um quilômetro por dia, o que reposiciona a logística do agronegócio na região. Com um aporte de R$ 2 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a construção visa não apenas facilitar o escoamento de grãos, mas também prometer uma redução de até 50% nos custos de frete, impactando diretamente um dos principais polos agrícolas do Brasil.
A ferrovia, que será operada pela Rumo, do grupo Cosan, receberá os recursos do BNDES na forma de subscrição de debêntures. Isso significa que o banco atuará como investidor âncora, permitindo que a Rumo capte recursos no mercado e remunere os investidores ao longo do tempo. A primeira fase do projeto contempla um trecho de 162 quilômetros que ligará Rondonópolis à região de Dom Aquino, com previsão de conclusão para o segundo semestre de 2026.
Gargalos Logísticos e Oportunidades
A Ferrovia Estadual de Mato Grosso é considerada a maior obra ferroviária em andamento no país e está sendo construída em um ritmo acelerado, buscando aproveitar a janela de tempo antes das chuvas. Atualmente, muitos caminhões que transportam soja, milho e farelo percorrem distâncias longas até o terminal em Rondonópolis. Com a nova ferrovia, a expectativa é que esse percurso seja encurtado, resultando em uma significativa redução de custos e uma ampliação na capacidade de transporte.
Além da infraestrutura, o terminal ferroviário próximo à BR-070 será um ponto crucial para o escoamento de até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho. Isso não apenas otimiza a logística, mas também promete uma reconfiguração do sistema de armazenagem e contratação de fretes na região.
Impacto nos Custos de Transporte
O efeito da nova ferrovia nos preços de frete é uma das promessas mais aguardadas do projeto. De acordo com o secretário nacional de Ferrovias, Leonardo Ribeiro, há potencial para uma redução de até 50% nos custos de frete em trajetos de mil quilômetros, embora esse número possa variar conforme os detalhes logísticos e a concorrência entre as rotas. Especialistas do Movimento Pró-Logística ressaltam que a efetivação dessas reduções dependerá de mais alternativas de escoamento e um maior número de opções competitivas.
Modelo de Execução e Sustentabilidade
A construção da ferrovia será realizada sob o modelo de autorização, onde o investidor privado assume a responsabilidade pela execução do projeto. Esse modelo é considerado mais ágil em comparação às concessões tradicionais, permitindo decisões de investimento mais flexíveis. No entanto, a execução já apresenta um avanço de 73%, que inclui terraplenagem e a construção de pontes e viadutos, com cerca de cinco mil trabalhadores atuando nos canteiros.
Com o apoio do BNDES, o projeto não apenas promete reduzir custos logísticos, mas também aliviar a sobrecarga das rodovias e diminuir as emissões de carbono. A vice-presidente da Rumo, Natália Marcassa, enfatizou a importância da expansão ferroviária para melhorar a competitividade das cadeias produtivas, alinhando-se à estratégia do governo federal de priorizar projetos ferroviários no Brasil.
Etapas Futuras e Expectativas
O plano completo da ferrovia inclui a ligação até Lucas do Rio Verde e um ramal para Cuiabá, mas as datas para as fases seguintes ainda não estão definidas. A Rumo está avaliando o investimento necessário e o potencial de receitas antes de avançar. Com a primeira fase já assegurada financeiramente e a criação de um terminal estratégico, o projeto está sendo monitorado de perto por produtores e operadores do agronegócio.
A expectativa é que, ao final do projeto, a nova ferrovia não apenas impacte o preço do frete na próxima safra, mas também reestruture a forma como o agronegócio mato-grossense se conecta com os mercados. O que resta saber é o quão significativo será esse impacto na prática.
