Desafios à Vista para 2026
Com as eleições se aproximando, o Distrito Federal enfrenta um cenário complexo ao entrar em 2026. O ano de 2025 foi marcado por severos cortes orçamentários e crises estruturais que exigem atenção redobrada, especialmente nas áreas de saúde e educação.
A discussão sobre o direito à cidade, impulsionada pela aprovação do Plano de Ordenamento Territorial (Pdot) e pelo programa Tarifa Zero, continua a ganhar destaque. Essas iniciativas, que fazem parte das prioridades do governo de Ibaneis Rocha (MDB) em conjunto com a vice-governadora Celina Leão (PP), têm gerado um intenso debate sobre quem realmente tem acesso à cidade.
Além disso, o escândalo financeiro envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) revelou distorções preocupantes na gestão dos recursos públicos. Em uma avaliação das entidades sindicais, movimentos sociais e parlamentares, o ano que se inicia promete ser ainda mais desafiador, com intensas disputas políticas e sociais.
O Caos na Saúde
O setor de saúde do Distrito Federal, ao longo de 2025, entrou em colapso, sem medidas efetivas para lidar com a crise. O orçamento destinado à saúde foi fixado em R$13 bilhões para o ano passado, mas para 2026 a proposta orçamentária, aprovada pela Câmara Legislativa do DF (CLDF), prevê um corte de R$1,1 bilhão. Este cenário de contingenciamento, em um ano eleitoral, agrava ainda mais a crise que já se arrasta.
A superlotação nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), hospitais e Unidades Básicas de Saúde (UBS) ilustra a gravidade da situação. Faltam médicos, enfermeiros, equipamentos e medicamentos, enquanto a população enfrenta longas esperas por atendimento.
De acordo com dados da Secretaria de Saúde (SES), no primeiro quadrimestre de 2025, a força de trabalho na área era composta por 32.122 profissionais, onde técnicos de enfermagem representavam 28% do total. Para o Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal (Sindenfermeiros), a falta de profissionais e a sobrecarga de trabalho são questões críticas a serem enfrentadas, além da urgência em reverter o desmonte da saúde pública.
“É imperativo recompor o orçamento da saúde e garantir condições dignas de trabalho, junto à valorização salarial dos profissionais de enfermagem que sustentam o sistema”, enfatiza a entidade.
Educação em Crise
A educação também se vê na linha de frente dos cortes orçamentários, exacerbando as dificuldades enfrentadas por alunos e professores. O ano de 2025 foi repleto de mobilizações, começando com uma greve significativa dos professores que revelaram as falhas estruturais nas escolas, como salas superlotadas e falta de profissionais qualificados.
O orçamento destinado à educação para 2026 foi fixado em R$5,1 bilhões, uma redução em relação aos R$5,4 bilhões do ano anterior, gerando descontentamento. A gestão Ibaneis-Celina, segundo o Sindicato dos Professores (Sinpro), contraria os princípios defendidos pela categoria. “Enquanto defendemos uma educação pública de qualidade, a gestão privilegia a contenção de gastos”, critica a entidade.
O Plano Distrital de Educação deve ser elaborado e, diante dos novos desafios, o sindicato delineou certas metas, como a efetivação de acordos conquistados nas greves e a luta por mais recursos.
Direito à Cidade e Mobilização Social
A questão do direito à cidade esteve no cerne do debate político. O programa Tarifa Zero, que oferece gratuidade no transporte público em feriados, e o Pdot, que reorganiza a política territorial, foram iniciativas que visaram reduzir desigualdades. Em comparação a 2024, houve um aumento significativo na demanda pelo transporte público, com 61% mais passageiros no metrô e 69% nos ônibus.
No entanto, especialistas criticam o Pdot por favorecer a especulação imobiliária e não apresentar uma política habitacional efetiva. “A lógica atual não atende à necessidade habitacional da população, que ocupa áreas e depois busca regularização”, afirmou o deputado Gabriel Magno (PT). O deputado Max Maciel (Psol) também destacou a necessidade de enfrentar os desafios impostos pelo plano aprovado.
Escândalos Financeiros e Demandas Populares
O escândalo financeiro envolvendo o Banco Master e o BRB ilustra a profunda crise na gestão dos recursos públicos. A investigação da Polícia Federal resultou em prisões e a descoberta de um esquema fraudulento que levantou questões sobre a ética da administração pública. O deputado Max Maciel aponta que essa situação expõe um caráter obscuro de gestão, privilegiando grupos específicos em detrimento do bem-estar público.
A oposição, por sua vez, continua a pressionar por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a fundo os vínculos entre as instituições financeiras e o governo do DF. Caso a CPI seja instaurada, poderá haver um acompanhamento mais rigoroso das práticas administrativas.
Com frente de desafios políticos e sociais à vista, 2026 se apresenta como um ano crucial para o Distrito Federal. Reverter os cortes orçamentários e garantir os direitos dos cidadãos será fundamental para o futuro da capital federal.
