Análise de Christopher Garman sobre a Nova Abordagem Americana
No último sábado, 3, os Estados Unidos tomaram uma ação decisiva na Venezuela ao destituir Nicolás Maduro, evidenciando uma nova fase da política externa americana que prioriza a região. Essa avaliação é do diretor-geral para as Américas do Eurasia Group, Christopher Garman, em uma entrevista ao Estadão/Broadcast. Segundo Garman, essa movimentação sinaliza uma doutrina de política e segurança nacional que busca uma maior atuação na América Latina.
Embora Garman não acredite em novas intervenções militares, ele enfatiza que “esta é uma Casa Branca que se mostra mais ativa na região, promovendo apoio a aliados e aumentando sua influência, especialmente no México e na América Central”. Essa postura sugere que os EUA estão se preparando para um papel mais proativo, com intenções de pressionar a presença da China e interferir em processos eleitorais, além de combater o narcotráfico com uma abordagem mais agressiva, o que pode gerar conflitos com outras nações.
Limitações da Interferência Americana na América do Sul
Apesar das intenções, Garman ressalta que a capacidade e o desejo dos Estados Unidos de intervir diretamente na América do Sul são limitados. Ele menciona o Brasil e as mudanças ocorridas durante a gestão de Trump, que reverteu algumas tarifas comerciais. Essa realidade complexa deve ser considerada ao se analisar a eficácia das ações americanas no continente.
Os motivos que levaram à intervenção na Venezuela são multifacetados. Garman aponta a ideologia como um fator importante, assim como a frustração pela ausência de uma mudança de regime durante o primeiro mandato de Trump, além de interesses ligados ao petróleo. Contudo, ele acredita que a guerra ao narcotráfico é uma preocupação real que não recebe a devida atenção nas análises. “A Casa Branca busca demonstrar força contra o narcotráfico na região”, afirma Garman. Para ele, essa estratégia é parte de uma política interna que visa promover a lei e a ordem.
Estratégias da Casa Branca no Combate ao Narcotráfico
De acordo com Garman, os Estados Unidos estão decididos a barrar a entrada de migrantes, expulsar aqueles que já estão no país, e até mesmo posicionar tropas da Guarda Nacional nas cidades americanas, tudo isso enquanto intensificam a luta contra os narcotraficantes na região. A Venezuela, nesse contexto, surge como uma oportunidade para projetar uma imagem de firmeza no combate ao narcotráfico.
Ele complementa: “Embora essa ação não explique por inteiro a política dos EUA, é evidente que há um desejo de ter uma abordagem externa focada no narcotráfico, como demonstrado pela tentativa de classificar organizações como PCC e CV como grupos terroristas no Brasil. Isso sinaliza que essa questão é uma vertente significativa na política externa americana.”
Impactos na Relação com a Europa e Outros Conflitos
Sobre a Europa, Garman menciona que a postura adotada durante o governo Trump gera incertezas em relação à Doutrina Monroe, mas acredita que isso não deve afetar a relação entre as duas potências. Além disso, ele considera improvável que a recente atuação dos EUA na Venezuela tenha repercussões diretas nas negociações relacionadas à guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Com uma nova estratégia emergindo, fica evidente que os Estados Unidos estão se reposicionando na América Latina, buscando reforçar sua influência em um cenário geopolítico em constante mudança. As ações direcionadas a aliados e a luta contra o narcotráfico ilustram uma política externa que, embora desafiada por limitações, demonstra um interesse renovado em reconfigurar a dinâmica da região.
