Setor Florestal em Crescimento
No ano de 2024, as florestas nativas e plantadas de Mato Grosso geraram aproximadamente R$ 1,6 bilhão em produção econômica, solidificando a silvicultura como um dos fundamentos da economia verde do estado. Os dados foram apresentados no Relatório da Produção Florestal de Mato Grosso, elaborado pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), utilizando informações da Pesquisa da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Desse total, 64% da movimentação financeira vieram da extração vegetal de florestas nativas, enquanto os restantes 36% foram gerados pela silvicultura, que abrange as florestas plantadas. Essa divisão contrasta com a média nacional, onde a silvicultura representa 84,1% da produção econômica florestal, totalizando R$ 44,3 bilhões em 2024, um crescimento de 16,7% em comparação ao ano anterior.
Desempenho da Silvicultura em Mato Grosso
Desde 2020, a produção da silvicultura em Mato Grosso apresentou uma notável triplicação, alcançando R$ 758 milhões em 2023, com a produção de cerca de 5,45 milhões de metros cúbicos de madeira. No entanto, em 2024, o setor enfrentou uma queda de 34%, encerrando o ano com R$ 593 milhões e uma produção de 3,83 milhões de metros cúbicos.
A composição deste setor no Estado é dominada pela lenha de eucalipto, que representa 88% do valor total produzido. Em seguida, estão a madeira em tora de outras espécies (7%), lenha de outras espécies (4%) e madeira em tora de eucalipto destinada a outros usos (1%). Esses números colocam Mato Grosso na 11ª posição no ranking nacional de produção de florestas plantadas.
Área de Florestas Plantadas e Extração Vegetal
A área de florestas plantadas no estado alcançou 284 mil hectares, posicionando Mato Grosso na oitava posição nacional em termos de expansão. Deste total, 72% são compostos por plantações de eucalipto, enquanto os outros 28% correspondem a outras espécies florestais, o que indica um grande potencial para aumentar a base produtiva da silvicultura nos anos seguintes.
Por outro lado, a extração vegetal de florestas nativas atingiu R$ 1,04 bilhão em 2024, consolidando Mato Grosso como o segundo maior estado do Brasil em extrativismo vegetal, respondendo por 14,36% do total nacional, ficando atrás apenas do Pará. Essa performance demonstra que a produção florestal oriunda de áreas nativas ainda supera, quase em dobro, o valor gerado pela silvicultura no estado.
Composição da Extração Vegetal
A madeira em tora representa a maior parte da extração vegetal em Mato Grosso, totalizando R$ 754 milhões, ou 72% do total. A lenha gera R$ 259 milhões (25%), enquanto o carvão vegetal e a castanha-do-pará somam R$ 17 milhões (1,6%) e R$ 10,5 milhões (1%), respectivamente. Outros produtos como pequi, copaíba, açaí, látex, palmito e poaia também fazem parte da pauta extrativista do estado.
Camila Bez Batti Souza, secretária adjunta de Agronegócios, Crédito e Energia em exercício da Sedec, destaca que esses números reforçam a importância do setor florestal e a necessidade de avançar na silvicultura em Mato Grosso. Segundo ela, a predominância da extração vegetal nativa no valor total gerado indica uma oportunidade estratégica para aumentar as florestas plantadas de maneira sustentável.
“Os dados demonstram que a expansão das florestas plantadas é uma oportunidade real para agregar valor, gerar empregos, fortalecer a economia verde e proporcionar maior segurança jurídica e ambiental aos investimentos”, declarou.
Exportações e Perspectivas Futuras
No comércio exterior, as exportações de madeira de Mato Grosso atingiram US$ 100,44 milhões, com a teca liderando as remessas, representando 58% do valor total. As madeiras tropicais perfiladas somam 32%, enquanto outras madeiras tropicais serradas e não coníferas perfiladas contribuem com 9% e 1%, respectivamente. A Índia se destaca como o principal destino das exportações, respondendo por 43,5%, seguida pelos Estados Unidos (13,67%) e pela China (10,84%), considerando o período de janeiro a novembro de 2025.
