Investimento Fundamental para o Futuro do Agronegócio
O orçamento destinado à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para 2026 será elevado em 26,7%, alcançando R$ 602,5 milhões. Este incremento é mais do que um simples ajuste nos números: simboliza um resgate essencial de uma das instituições mais importantes na história do agronegócio brasileiro. Após um período de limitações financeiras que perdurou por uma década, a estatal finalmente começa a respirar novamente.
Desde a sua fundação em 1973, a Embrapa desempenhou um papel vital na transformação do Brasil, que passou de importador a uma das principais potências agropecuárias do mundo. Através de pesquisas científicas inovadoras, a companhia possibilitou a adaptação dos solos ácidos do Cerrado, a criação de cultivares tropicais de soja, milho, algodão e trigo, e a viabilização da pecuária em larga escala. Esses avanços elevaram a produtividade agrícola sem a necessidade de expandir a área cultivada, mostrando a importância da ciência no campo.
Nos últimos cinquenta anos, a Embrapa moldou o modelo de produção agrícola brasileiro, que é sustentado por ciência, tecnologia e inovação. As tecnologias desenvolvidas ou adaptadas pela instituição têm sido fundamentais para o crescimento da produção agrícola nacional, muitas vezes incorporadas ao cotidiano do produtor rural de forma silenciosa.
Desafios Financeiros e a Necessidade de Reestruturação
No entanto, o cenário financeiro da Embrapa não foi sempre positivo. Em 2014, o orçamento para pesquisa alcançou R$ 816 milhões, mas, a partir de então, os cortes se tornaram frequentes. Para 2024, o governo destinou apenas R$ 156,4 milhões para pesquisa, o que levou várias unidades da empresa a suspenderem projetos e enfrentarem dificuldades em cobrir despesas básicas, como contas de energia e segurança.
A recuperação orçamentária começou a mostrar resultados em 2025 e é confirmada na proposta para 2026. Dentro do Programa de Pesquisa e Inovação Agropecuária (Programa 2303), R$ 410 milhões do total previsto serão direcionados a custeio e investimento em pesquisa. O orçamento total da Embrapa deverá somar R$ 4,7 bilhões, incluindo cerca de R$ 4 bilhões em despesas fixas com pessoal e R$ 182,2 milhões para manutenção e investimento nas unidades, parte desses recursos advinda do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
De acordo com a presidência da Embrapa, esse reforço financeiro permitirá a modernização dos laboratórios, a atualização dos campos experimentais e a retomada de projetos que estavam paralisados. Contudo, internamente, a expectativa é cautelosa. Pesquisadores ressaltam que os recursos destinados à pesquisa também precisam cobrir despesas operacionais essenciais para o funcionamento das unidades. Quando o orçamento é restrito, os experimentos acabam sendo interrompidos para garantir o pagamento de contas básicas, como combustível e eletricidade.
Perspectivas e Parcerias para o Futuro
Ainda que o aumento orçamentário represente um passo positivo, a Embrapa reconhece que os valores ainda não são suficientes. Estimativas internas indicam que são necessários cerca de R$ 510 milhões anualmente para financiar as pesquisas de maneira apropriada. Com a inclusão de emendas parlamentares, o orçamento discricionário pode atingir R$ 364,3 milhões em 2025, mas esses valores ainda estão sujeitos a cortes e contingenciamentos ao longo do exercício.
O setor agropecuário ganhou um novo fôlego com a recente proposta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que anunciou a intenção de investir R$ 100 milhões anuais na Embrapa para pesquisas, utilizando recursos do sistema S. Essa iniciativa reacende o debate sobre a necessidade de garantir previsibilidade financeira para o desenvolvimento da ciência agropecuária. A proposta ainda encontra-se em discussão e prevê a criação de um consórcio que pode evoluir para um fundo permanente de apoio à pesquisa.
Para os produtores rurais, o fortalecimento da Embrapa é considerado essencial para enfrentar os desafios futuros, como as mudanças climáticas, a pressão por práticas sustentáveis, a segurança alimentar e a competitividade no mercado internacional. Sem a pesquisa científica, o agronegócio brasileiro poderá perder eficiência e agilidade na resposta a tais desafios.
Após um longo período de restrição orçamentária, o aumento dos recursos é um reconhecimento tardio, porém vital: o sucesso do agronegócio no Brasil não se deve apenas ao solo fértil ou ao clima favorável, mas, essencialmente, ao investimento contínuo em pesquisa pública. Reforçar a Embrapa equivale a fortalecer a base que sustenta a liderança do Brasil no agronegócio mundial.
