Uma Nova Abordagem ao Capacitismo
Recentemente, o Ministério do Esporte lançou uma nova iniciativa chamada Guia Capacitista em Desconstrução, com o intuito de enfrentar o capacitismo no Brasil. Essa publicação representa um dos legados mais significativos da pasta para o ano de 2025. O guia tem como objetivo romper com a cultura que reduz a trajetória esportiva de indivíduos com deficiência a histórias de superação, focando na luta e na dor em vez de destacar suas habilidades e conquistas. O ministro do Esporte, André Fufuca, afirma que o esporte deve ser um espaço acolhedor, onde todas as pessoas são respeitadas em sua integralidade. “O guia nos convida a rever palavras, atitudes e práticas que muitas vezes, sem intenção, reforçam exclusões. Estar atento a isso é vital para garantir direitos e promover inclusão”, enfatizou Fufuca.
A publicação é parte de um conjunto amplo de ações que visam promover a inclusão, diversidade e acessibilidade, alinhando-se à expansão de programas como o TEAtivo. O guia apresenta uma linguagem acessível e exemplos do cotidiano, propondo um letramento anticapacitista que começa pela maneira como nos expressamos.
Reflexão sobre a Linguagem e o Capacitismo
Uma das principais diretrizes do guia é a revisão da terminologia utilizada ao tratar de pessoas com deficiência. Termos considerados ultrapassados, como “portador de deficiência” ou “surdo-mudo”, são questionados devido ao seu caráter desumanizante e aos estigmas que perpetuam. O material não apenas lista palavras a serem evitadas, mas também convida a uma reflexão profunda sobre o impacto das palavras na construção das relações e nos ambientes que habitamos.
No contexto do esporte, o guia é claro: o desempenho de atletas com deficiência não deve ser visto como uma exceção ou uma história de superação. Os talentos e habilidades desses indivíduos devem ser reconhecidos como resultado de trabalho árduo, treino e estratégia, e não apenas destacados por suas deficiências. Isso é fundamental para evitar a distorção do sentido da prática esportiva e o reforço de estereótipos prejudiciais.
Capacitismo Estrutural e Interseccionalidade
O guia também aborda o capacitismo de forma estrutural, apontando como ele se manifesta em diversas áreas, como o ambiente de trabalho e nas interações sociais. Situações como a infantilização de adultos com deficiência e a exclusão de processos decisórios são apenas algumas das questões que o documento busca combater. O texto enfatiza que o capacitismo não se limita a ações individuais, mas é um fenômeno que perpassa a estrutura social.
Outro aspecto importante abordado no guia é a interseccionalidade. Reconhecendo que o capacitismo se entrelaça com outros tipos de preconceito, como racismo e sexismo, o guia propõe uma análise mais complexa das experiências das pessoas com deficiência. Fábio Araújo, secretário Nacional do Paradesporto, destaca que essa iniciativa é um passo decisivo para a transformação cultural que busca a inclusão efetiva no esporte e na sociedade. “O Guia Capacitista em Desconstrução é essencial porque transforma consciência em ação. Ele mostra como o capacitismo aparece no dia a dia e como isso cria barreiras que afastam pessoas com deficiência do esporte e da vida em sociedade”, afirmou Araújo.
Um Passo Rumo à Inclusão Real
Com o lançamento deste guia, o Ministério do Esporte reforça a mensagem de que respeito e acessibilidade são direitos fundamentais, não privilégios. O documento é um passo concreto para acelerar a transformação que busca garantir a inclusão de todos, especialmente no âmbito esportivo. Em 2025, foi também lançado o Guia de Atividade Física para Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), que visa ampliar o acesso à prática esportiva, oferecendo orientações para avaliação e planejamento de intervenções.
O Guia Capacitista em Desconstrução não apenas representa um marco na promoção do letramento anticapacitista, mas também reafirma que mudar a linguagem é o primeiro passo para transformar práticas e garantir que a diversidade seja vista como parte essencial da sociedade. Essa nova abordagem tem o potencial de impactar positivamente a forma como nos relacionamos com o esporte e com as pessoas ao nosso redor, contribuindo para um ambiente verdadeiramente inclusivo.
