O Golpe e a Ostentação
No último domingo (21), o programa Fantástico apresentou detalhes alarmantes sobre um esquema de corrupção que envolveu o desvio de pelo menos R$ 25 milhões, recursos destinados à saúde pública. O empresário Humberto Silva, preso pela Polícia Federal em Cuiabá, é acusado de financiar uma vida de luxos, incluindo viagens internacionais e festas em apartamentos de alto padrão, utilizando dinheiro que deveria ser aplicado em postos de saúde e hospitais.
A prisão ocorreu no hotel D´Lucca, na avenida do CPA, e as investigações indicam que Humberto operava sua empresa com sócios em Mato Grosso, tendo até obtido uma dispensa de licitação em outubro deste ano na Secretaria de Saúde do estado, homologada em R$ 12,369 milhões. No entanto, o contrato ainda não foi assinado, pois ainda está sob análise técnica e não faz parte da investigação da PF no momento. De acordo com as apurações, o empresário e seus associados teriam utilizado o Instituto Riograndense de Desenvolvimento Social Integrado (IRDESI), uma organização sem fins lucrativos que gerencia hospitais, para realizar esse desvio de recursos públicos.
Impacto na Saúde Pública
Entre os anos de 2022 e 2025, o IRDESI recebeu impressionantes R$ 340 milhões, sendo a maior parte desse montante proveniente da Prefeitura de Embu das Artes, com verba federal. Contudo, enquanto parte desse dinheiro era utilizada para financiar um estilo de vida de ostentação, os hospitais geridos pelo instituto enfrentavam sérias dificuldades, como a falta de medicamentos e equipamentos básicos.
Informações da polícia revelam que Humberto utilizou parte do dinheiro desviado para bancar despesas pessoais, incluindo o aluguel de um luxuoso apartamento em Balneário Camboriú e a compra de artigos de alto valor. Sua atual esposa, Maíne Baccin, que teve o pedido de casamento feito aos pés da Torre Eiffel, recebia um salário de R$ 23 mil sem exercer atividades laborais. A ex-esposa também se beneficiou do esquema, tendo seu aluguel pago pelo instituto.
Além disso, a PF identificou várias empresas fictícias que emitiram notas fiscais falsas para justificar serviços que nunca foram realizados. Só com duas dessas empresas, cerca de R$ 8 milhões foram desviados, deixando os hospitais em situação crítica. Um caso chocante foi registrado em Jaguari (RS), onde um idoso faleceu devido à falta de um aparelho de nebulização que custava apenas R$ 70. Um morador de Embu das Artes expressou sua indignação: “É absurdo, porque está faltando na base, no atendimento, no remédio, nos cuidados de saúde”.
Consequências Legais e Reações
Até o momento, a Justiça já bloqueou 14 imóveis, 53 veículos, uma lancha e contas bancárias de 20 indivíduos investigados, totalizando um prejuízo estimado em R$ 25 milhões. A defesa de Tássia Nunes, uma das envolvidas, declarou que ninguém deve ser considerado culpado antes do devido processo legal, ressaltando que a antecipação de julgamentos prévias fere a presunção de inocência. Em nota, a defesa de Maíne Baccin afirmou que está realizando uma análise minuciosa de todos os documentos e informações relacionadas ao inquérito.
A reportagem também buscou contato com a defesa de Humberto Silva, mas não obteve resposta. A Prefeitura de Embu das Artes declarou que, se as condutas apontadas nas investigações forem confirmadas, a responsabilidade será inteiramente da organização social contratada. Em relação à falta de medicamentos, a Prefeitura esclareceu que a responsabilidade é da organização gestora.
