Compromisso firme com a ferrovia
O governador reeleito de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), voltou a cobrar da Rumo Logística o cumprimento integral do contrato para a construção da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, um projeto avaliado em até R$ 15 bilhões. A principal preocupação é que Cuiabá possa ficar fora do traçado final, mesmo integrando o plano inicial firmado em setembro de 2021. Pivetta reforça que a concessionária assumiu voluntariamente o compromisso de levar os trilhos até Lucas do Rio Verde, incluindo um ramal para a capital, e que é obrigação da Rumo cumprir o que foi acordado.
“Temos um contrato muito bem feito. A Rumo tem a obrigação de cumprir. Ela se habilitou voluntariamente por meio de edital do Estado”, afirmou o governador.
Detalhes do projeto e desafios financeiros
O traçado original prevê cerca de 743 quilômetros de ferrovia, divididos em dois eixos principais: o primeiro entre Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, passando por Nova Mutum; o segundo, um ramal até Cuiabá. A ferrovia foi pensada para integrar os principais polos produtivos de Mato Grosso à malha ferroviária nacional, facilitando o escoamento de soja, milho e outros produtos até o Porto de Santos, além de garantir a entrada de insumos industriais.
No entanto, o projeto enfrenta obstáculos financeiros e dúvidas sobre a viabilidade de alguns trechos, especialmente o ramal cuiabano. Uma nota técnica divulgada em maio de 2026 apontou que esse trecho, com cerca de 210 quilômetros, apresenta menor atratividade comercial para a Rumo em comparação ao corredor agrícola que atende a regiões produtoras de grãos. Enquanto o eixo principal movimenta grandes volumes de soja e milho, o ramal para Cuiabá depende de cargas variadas, como produtos industrializados e combustíveis, o que compromete sua rentabilidade.
Aspectos contratuais complicam execução
Além dos desafios econômicos, cláusulas do contrato podem permitir adiamentos ou até a não execução do ramal da capital. A cláusula 7.5, por exemplo, isenta penalidades em casos de atrasos justificados tecnicamente e aceitos pela Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Ager-MT). Também há discussões sobre prorrogação de prazos e interpretação de cláusulas referentes à caducidade da autorização por descumprimento.
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Essas condições dificultam transformar o compromisso inicial em obra concreta. O planejamento original previa operação da ferrovia em Cuiabá até 2025, mas o prazo foi estendido para 2030, e até agora não há previsão pública atualizada para a chegada dos trilhos à capital.
Primeira etapa inaugurada e investimento público
A primeira fase, com 162 quilômetros entre Rondonópolis e o terminal na BR-070, foi inaugurada em junho de 2026, com investimento de cerca de R$ 5 bilhões. O projeto recebeu apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que aprovou R$ 2 bilhões em debêntures para financiar essa etapa. Entretanto, esses recursos não contemplam especificamente a extensão até Cuiabá.
Desde o lançamento, o custo estimado da ferrovia subiu de R$ 11,2 bilhões para até R$ 15 bilhões, refletindo a complexidade e a escala do empreendimento. A diferença entre o valor total e o investido na primeira fase chega a R$ 10 bilhões, mas não há orçamento atualizado para o ramal até a capital nem prazo definido para sua conclusão.
Pressão por definição e impacto regional
Em maio de 2026, a indefinição sobre o ramal cuiabano ganhou destaque, com especialistas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) defendendo a importância da ferrovia para a Baixada Cuiabana e a possibilidade de expansão futura até Cáceres. Excluir Cuiabá do projeto comprometeria oportunidades de industrialização, redução de custos logísticos e desenvolvimento regional, deixando a capital e municípios vizinhos dependentes do transporte rodoviário.
Pivetta relaciona a paralisação à situação econômica do país, especialmente ao custo do financiamento e à necessidade de um ambiente favorável a investimentos privados. Ele aposta que o resultado do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25), pode alterar a condução econômica e impulsionar aportes em infraestrutura a partir de 2027.
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Fonte: soudebh.com.br
Expectativa e próximos passos
O governador, que apoia Bolsonaro (PL) na disputa contra Silva (PT), acredita que uma política econômica de controle de gastos e recuperação da confiança dos investidores deve favorecer a retomada dos projetos ferroviários. Mesmo assim, a construção do ramal depende também de questões técnicas, financeiras e decisões da Rumo.
Pivetta espera divulgar informações mais claras sobre a continuidade das obras já na segunda-feira (26), após o segundo turno. Ele também enxerga oportunidade na possível venda da concessão da BR-163, atualmente controlada pelo Governo de Mato Grosso, para recuperar recursos estaduais e viabilizar novos investimentos.
Infraestrutura estratégica para Mato Grosso
A ferrovia e a BR-163 formam uma estratégia logística fundamental para ampliar a competitividade da produção mato-grossense. Enquanto os trilhos permitem o transporte de grandes volumes a longas distâncias, as rodovias conectam propriedades, centros industriais e terminais. A redução dos custos de transporte pode impactar positivamente a economia nacional, especialmente pela importância do Estado na produção de grãos.
O principal impasse segue sendo o destino de Cuiabá nesse plano. Apesar dos bilhões investidos e do trecho inicial em operação, a capital continua sem uma previsão concreta para ser integrada ao sistema ferroviário. Pivetta reforça que a Rumo assumiu um compromisso que precisa ser cumprido, mas superar os entraves econômicos, definir investimentos e esclarecer cláusulas contratuais será essencial para a conclusão do ramal e o desenvolvimento regional.
