Redução do Rebanho e Crescimento Econômico
Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com o menor rebanho bovino desde 1989, totalizando 17,94 milhões de cabeças, uma queda de 4,3% em relação a 2024. Apesar dessa retração, o valor da produção pecuária atingiu R$ 1,8 bilhão, um aumento de 11,8%, conforme dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso demonstra que, embora o número de animais tenha diminuído, a pecuária conseguiu movimentar mais recursos e produzir mais carne no ano.
A queda representa a perda de quase 800 mil bovinos em um ano, interrompendo a breve recuperação de 2,5% observada em 2023, após seis anos consecutivos de declínio. Em 2024, o rebanho já havia recuado e em 2025 a diminuição foi ainda mais acentuada. Para se ter uma ideia, o Estado tinha 18,74 milhões de bovinos em 2024 e 18,89 milhões em 2023, segundo o IBGE.
Contexto Histórico e Ranking Nacional
Comparado a 2003, quando Mato Grosso do Sul tinha o maior plantel do país com 24,98 milhões de cabeças, o Estado perdeu 7 milhões de bovinos. Atualmente, ocupa a quinta posição entre as maiores unidades federativas produtoras de gado no Brasil. A redução ocorre em um momento em que outros indicadores apontam para uma atividade pecuária mais intensa, como o aumento do abate sob inspeção sanitária.
Em 2025, foram abatidos 3,93 milhões de bovinos, 4,7% a mais que em 2024, e a produção de carcaças ultrapassou 1 milhão de toneladas. Para Hudson Garcia, economista e diretor da Agricon Consultoria, essa situação pode estar relacionada tanto a ganhos no ciclo produtivo — como melhorias na alimentação, genética e redução do tempo até o abate — quanto a uma retirada maior de animais.
Rebanho e Abate: Entendendo os Números
Apesar da aparente contradição entre a redução do rebanho e o aumento do abate, os dados não se excluem. A PPM contabiliza o efetivo bovino em 31 de dezembro, enquanto as estatísticas de abate referem-se a todos os animais processados durante o ano. Portanto, é possível que o número de animais abatidos cresça mesmo com a diminuição do estoque no final do período.
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O principal ponto de atenção para o setor é o destino das matrizes utilizadas na reprodução, já que uma retirada significativa dessas pode comprometer a produção futura de bezerros. “Precisamos acompanhar não apenas o tamanho do rebanho, mas também a produção, preços, custos e reposição dos animais”, alerta Garcia.
Queda Histórica e Ciclo da Pecuária
O recuo de 2025 posiciona o rebanho sul-mato-grossense em um dos menores níveis recentes. Em 2003, o Estado chegou a quase 25 milhões de cabeças e, em 2016, marcou 21,8 milhões. Desde então, a redução acumulada chega a quase 4 milhões. A trajetória inclui quedas entre 2017 e 2022 e um breve aumento em 2023, que não se sustentou nos anos seguintes.
A pesquisa anual do IBGE acompanha não só o rebanho bovino, mas também a produção de leite, ovos, mel e aquicultura, mostrando a dimensão da pecuária no Estado.
Exportações e Valor da Produção
Mato Grosso do Sul também registrou avanço nas exportações de carne bovina em 2025, com quase 347 mil toneladas embarcadas, um aumento de cerca de 35% em relação ao ano anterior. A receita alcançou US$ 1,9 bilhão, crescimento de 56%, consolidando a carne bovina como um dos principais produtos da pauta exportadora estadual. O total de vendas externas do Estado chegou a um recorde de US$ 10,7 bilhões.
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Esse desempenho reforça a importância da cadeia de proteína animal na economia local e explica como a pecuária conseguiu elevar seu valor econômico mesmo com menos animais. Contudo, o aumento nas exportações e no valor da produção não significa necessariamente maior rentabilidade para o produtor, já que os custos com alimentação, transporte, mão de obra, medicamentos, manutenção e reposição influenciam o resultado financeiro final.
Crescimento da Suinocultura e Avanços na Produção de Ovos
Enquanto o rebanho bovino diminuiu, a suinocultura cresceu 5,8%, chegando a 1,96 milhão de animais, e os galináceos atingiram 35,5 milhões, com alta de 4%. A produção de ovos teve avanço expressivo, passando de 113,4 milhões para 134,1 milhões de dúzias, aumento de 18,3%, com valor gerado de R$ 855,2 milhões, crescimento de 26,2%.
Esses resultados ajudaram a elevar o valor total da produção pecuária estadual, embora os segmentos tenham apresentado desempenhos diferentes. A produção de leite caiu 3%, para 264,4 milhões de litros, a aquicultura recuou 9,3%, para 20,1 mil toneladas, e a produção de mel diminuiu 4,5%, para 732 mil quilos.
Hudson Garcia destaca que o avanço de suínos e ovos indica uma diversificação da atividade pecuária em Mato Grosso do Sul, mas ainda não é possível afirmar que essas cadeias substituem a bovinocultura.
