Incentivos fiscais e a política em Mato Grosso
Um levantamento detalhado a partir de documentos oficiais da Receita Federal e da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz-MT) revelou que empresas ligadas à família do senador Wellington Fagundes (PL) receberam mais de R$ 3 milhões em incentivos fiscais. Esses dados expõem uma contradição direta com o discurso recente do parlamentar, que garantiu publicamente que sua esposa e filhos jamais usufruíram de benefícios ou isenções estaduais.
Na ocasião, o senador afirmou que renunciaria à candidatura ao Governo de Mato Grosso caso suas declarações fossem desmentidas por documentos oficiais. O foco da controvérsia está nos registros do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da Zootec Indústria e Comércio de Produtos Agropecuários Ltda., sediada em Rondonópolis e administrada pelo filho de Wellington, João Antonio Fagundes Neto.
Renúncias fiscais detalhadas no ICMS
Segundo o Quadro de Sócios e Administradores (QSA) da Receita Federal, a Zootec possui um capital social declarado de R$ 20,79 milhões e acumulou R$ 1.081.177,90 em renúncias fiscais entre 2019 e 2025. A empresa está enquadrada no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic) desde 2013, o que garante benefícios fiscais regulamentares para a fabricação de alimentos para animais, sem envolver depósitos em contas pessoais.
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Além da Zootec, outras duas empresas ligadas diretamente à família do senador obtiveram incentivos tributários nos últimos anos. A Raça Agro Norte recebeu R$ 1.037.000,00 em abatimentos fiscais, enquanto a SGM acumulou aproximadamente R$ 919.900,00 em desonerações. Somadas, as três empresas registram R$ 3,04 milhões em renúncias de impostos estaduais durante o período analisado.
Impacto econômico e implicações na campanha de 2026
O cenário ganha maior relevância quando considerado o desempenho fiscal do candidato a vice-governador na chapa, o empresário Reinaldo Morais (Novo). As indústrias associadas a Morais declararam R$ 96,7 milhões em isenções e renúncias tributárias aprovadas pelo comitê gestor do estado.
Somando os R$ 3,04 milhões das empresas da família de Wellington Fagundes com os R$ 96,7 milhões relacionados ao vice, o total de incentivos fiscais vinculados à chapa do PL chega a R$ 99,74 milhões. Esse valor transforma a política de fomento fiscal em um dos principais focos de crítica da oposição na reta final da campanha de 2026.
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A análise dos Serviços (ICMS) demonstra o peso econômico dessas renúncias para o estado e o impacto direto na percepção pública da disputa eleitoral. A discussão ultrapassa o campo político e revela como incentivos fiscais podem influenciar decisões estratégicas, afetando renda, emprego e investimentos na região.
