Uma vida dedicada às artes e à cultura
Epaminondas Xavier Gracindo, conhecido como Gracindo Júnior, iniciou sua carreira artística ainda na adolescência, trabalhando no rádio. Aos 15 anos, em 1959, passou no teste da Rádio Nacional, onde acumulou funções como ator, redator e disc-jóquei. Filho do renomado ator Paulo Gracindo, ele chegou a estudar psicologia, mas optou por seguir a vocação artística, ampliando seu campo para o teatro, a televisão e o cinema, além de atuar como diretor e supervisor de dramaturgia.
Desafios e conquistas durante a ditadura
Militante do Partido Comunista, Gracindo Júnior teve sua carreira interrompida pela ditadura militar em 1964, quando foi cassado e proibido de trabalhar no rádio. Apesar desse obstáculo, ele já havia trabalhado em emissoras importantes como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi. Na TV Globo, participou do elenco inaugural, atuando em novelas pioneiras da emissora. Em depoimento ao Memória Globo, relembrou a contratação antes mesmo da estreia oficial da emissora, em dezembro de 1964.
Novelas que marcaram uma geração
Entre seus trabalhos mais conhecidos na Globo estão “Rosinha do Sobrado” (1965), “Padre Tião” (1966), “A Rainha Louca” (1967), “A Próxima Atração” (1970) e “Os Ossos do Barão” (1973). Também participou de “O Bem-Amado” (1973), obra de Dias Gomes, e “Supermanoela” (1974), consolidando sua presença na televisão brasileira.
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Fonte: parabelem.com.br
O papel emblemático em “O Casarão” e o vínculo artístico com o pai
Em 1976, Gracindo Júnior conquistou seu primeiro papel de grande destaque ao interpretar o pintor João Maciel na novela “O Casarão”, de Lauro César Muniz. A trama explorava diferentes épocas e contou com a participação do próprio Paulo Gracindo, que representou o personagem em sua fase idosa. No mesmo ano, estreou como diretor de teatro com a peça “A Longa Noite de Cristal”, de Oduvaldo Vianna Filho, e também dirigiu a montagem portuguesa de “É”, de Millôr Fernandes.
Direção e retorno às novelas
Em 1978, assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h na Globo, acompanhando a produção de “A Sucessora”, de Manoel Carlos. Nos anos seguintes, acumulou funções de diretor e ator, comandando produções como “Memórias de Amor”, “Marron-Glacé” e “Os Trapalhões” em 1983. Participou ativamente dos primeiros clipes musicais exibidos no programa “Fantástico” e homenageou o pai com a peça “Paulo Gracindo, Meu Pai” em 1980.
Carreira diversificada e trabalhos na TV Manchete
Na TV Manchete, em 1984, interpretou Dom Pedro 1º em “A Marquesa de Santos” e integrou o elenco de produções como “Dona Beija” e “Tudo ou Nada”. Seu retorno à Globo trouxe participações em minisséries e novelas, incluindo “Tenda dos Milagres” (1985), “Mandala” (1987) e “Rainha da Sucata” (1990), ampliando seu repertório com personagens memoráveis.
Atuação nos anos 2000 e presença constante no teatro
Gracindo Júnior manteve a carreira ativa nas décadas seguintes, participando de novelas como “Celebridade” (2003), onde viveu Ubaldo Quintela, e “Como uma Onda” (2004). Trabalhou também em produções da Record, como “Cidadão Brasileiro” e “Poder Paralelo” (2009), além da minissérie “Rei Davi” (2012). Paralelamente, seguiu dedicado ao teatro, atuando em mais de 20 peças como ator, produtor e diretor.
Últimos momentos e despedida
O velório de Gracindo Júnior será realizado no Crematório e Cemitério da Penitência, começando às 12h10 do dia 3, seguido da cremação às 14h10. Sua trajetória reflete décadas de dedicação à cultura brasileira, com uma carreira marcada por múltiplas facetas e contribuições importantes para o teatro, televisão e rádio.
