Tradição e arte em foco no encontro de ceramistas
Entre os dias 28 e 30 de agosto, Cuiabá recebeu o 1º Encontro de Ceramistas de Mato Grosso, que reuniu mestres da cerâmica tradicional, artistas populares, ceramistas indígenas, pesquisadores e estudantes interessados na preservação dessa expressão cultural. O evento, organizado pelo Ponto de Cultura Mãos de Barro e pelo Instituto Ecoss, foi palco de debates, apresentações culturais e oficinas que destacaram a cerâmica não apenas como arte, mas como um elo entre identidades, histórias e sustentabilidade.
Rodas de conversa e manifestações culturais
A abertura do encontro aconteceu na sede do Instituto Ecoss, no Parque Geórgia, com uma cerimônia marcada pela apresentação do grupo Yamurikumã, da etnia Wauja, seguida por manifestações tradicionais de siriri e cururu da Comunidade São Gonçalo Beira Rio. A primeira noite também trouxe a roda de conversa “Cerâmica de Mato Grosso: saberes, identidades e memórias”, que reuniu ceramistas mestres, representantes indígenas das etnias Karajá, Wauja e Juruna, artesãos e pesquisadores para discutir a transmissão dos saberes, o papel das mulheres na produção e os desafios da continuidade dessa prática no estado.
Oficinas práticas e conexão com saberes ancestrais
No segundo dia, os participantes puderam se aprofundar na prática por meio de oficinas na sede do Instituto Ecoss. A artista Eugênia Vieira Costa, de Rosário Oeste, conduziu a oficina de Pintura Tradicional em Cerâmica, enquanto mestres da etnia Wauja ensinaram técnicas da Cerâmica Tradicional Indígena. Com 15 vagas em cada oficina, as atividades possibilitaram um contato direto com as formas de produção e os conhecimentos envolvidos no processo de criação dessas peças únicas.
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Debate sobre economia criativa e sustentabilidade
O encontro foi encerrado no Museu de História Natural de Mato Grosso com uma roda de conversa que abordou “Cerâmica, Economia Criativa e Sustentabilidade: caminhos para o fortalecimento da produção artesanal”. O debate trouxe à tona temas como reconhecimento da cerâmica como patrimônio cultural, preservação de técnicas ancestrais, comercialização, turismo cultural e organização coletiva dos ceramistas. Além disso, discutiu práticas sustentáveis, como o uso consciente da argila, técnicas de queima eficientes e estratégias para garantir a continuidade do ofício às futuras gerações.
Construção coletiva e compromisso com a tradição
Os participantes elaboraram a Carta do Encontro de Ceramistas de Mato Grosso, documento que reúne sugestões e compromissos para fortalecer a cerâmica tradicional no estado. A iniciativa reforça a cerâmica como instrumento de preservação da memória, geração de renda e afirmação das identidades culturais locais.
A trajetória de Nadja Lammel e a valorização da cultura mato-grossense
Natural de Alta Floresta, a artista visual, arquiteta e urbanista Nadja Lammel tem uma carreira dedicada à valorização da cultura, história e diversidade ambiental de Mato Grosso. Desde 2011, ela se dedica integralmente às artes visuais, misturando referências da arte contemporânea, dos povos indígenas e dos biomas regionais, como Amazônia, Cerrado e Pantanal. Sua obra ganhou destaque internacional ao ser selecionada para a programação paralela da Art Basel Week, em Miami, onde apresentou a instalação “O Ancião”, inspirada na ancestralidade dos povos originários.
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A formação em Arquitetura e Urbanismo também guiou sua atuação na preservação do patrimônio cultural, com passagens pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e participação em projetos dedicados à memória e às identidades culturais brasileiras. Além disso, Nadja acumula mais de 20 anos de trabalho em ações ambientais, refletindo em obras que dialogam com biodiversidade, espiritualidade e a relação dos povos com a natureza.
Exposições e reconhecimento local
Entre suas principais exposições estão “Universum”, “Naturalis” e “Originários”, que exploram ancestralidade, cultura regional e riqueza ambiental de Mato Grosso. A exposição “Naturalis” foi reconhecida pela Assembleia Legislativa do Estado, que concedeu Moção de Congratulação pelo impacto cultural da artista. A linguagem de Nadja combina técnicas como pintura, graffiti, muralismo, mosaico e instalações, unindo a arte urbana aos grafismos indígenas e à pintura acadêmica.
Preservação da memória e identidade regional
Ao integrar tradição e contemporaneidade, Nadja constrói uma obra que preserva memórias e representa as identidades regionais, ampliando a visibilidade da arte mato-grossense e reforçando o estado como um território rico em diversidade cultural e ambiental.
