Padre Renan e a cultura pop como ponte para os jovens
O padre Renan da Silva Cunha, de 35 anos, encontrou na cultura pop um caminho para se aproximar dos adolescentes e jovens católicos de Cuiabá. Em suas homilias, encontros e vídeos nas redes sociais, ele utiliza referências como “O Rei Leão” e a cantora Taylor Swift para falar sobre fé, relacionamentos e valores cristãos. Essa estratégia inovadora surgiu em 2024, quando Renan foi convidado para ser diretor espiritual de um acampamento voltado para adolescentes. Até então, seu contato era maior com o público adulto e idoso, especialmente por conta do trabalho na rádio da Arquidiocese de Cuiabá.
Ao se deparar com a necessidade de dialogar com um público mais jovem, Renan relembrou uma experiência marcante: durante o acampamento, os adolescentes cantaram uma paródia da música de “O Rei Leão”. Essa conexão o inspirou a usar a história de Simba para abordar temas como pecado, identidade e vocação. A frase “lembre-se de quem você é” virou a base para explicar aos jovens que eles são filhos de Deus e têm uma missão a cumprir.
Usando narrativas conhecidas para aprofundar a fé
Desde então, o padre incorporou cada vez mais elementos da cultura pop em suas atividades com os jovens. Fã desde a infância de filmes da Disney e histórias de super-heróis, ele percebeu que essas referências ajudam a criar identificação e tornam as mensagens religiosas mais acessíveis. Um exemplo marcante foi quando usou a música “Love Story”, da Taylor Swift, para falar sobre namoro e relacionamentos tóxicos. A referência gerou empatia imediata entre as adolescentes, que se reconheceram na situação e se sentiram compreendidas.
Outro gesto que aproximou o público jovem foi levar um cachorro para um acampamento. A princípio, a ideia gerou dúvidas, mas acabou sendo um sucesso, ajudando a criar um ambiente acolhedor e aberto para que os adolescentes se conectassem com a mensagem espiritual.
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Fortalecendo a comunidade jovem em Cuiabá
Essas experiências deram um novo fôlego ao trabalho com os adolescentes na Paróquia São José Operário, onde o grupo de jovens passou a se reunir semanalmente para encontros que combinam fé e vida espiritual. Além disso, Renan criou um clube que promove formações mais profundas, com leituras e debates sobre temas religiosos, incluindo a cura interior e a importância do cuidado psicológico quando necessário.
Para o padre, essas referências culturais não substituem a mensagem religiosa, mas funcionam como uma ponte para alcançar os jovens. Filmes, músicas e personagens conhecidos servem para tratar de temas como fé, valores, relacionamentos e espiritualidade de forma mais próxima da realidade deles.
Do “padre das vovós” ao mentor dos jovens
Natural de Assis Chateaubriand, no interior do Paraná, Renan está em Cuiabá desde 2014. Formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina, foi ordenado sacerdote em 2021 e integra o clero da Arquidiocese de Cuiabá. No início da carreira, trabalhou na comunicação da Arquidiocese, como diretor da Rádio Bom Jesus e assessor da Pastoral da Comunicação, onde construiu forte vínculo com o público mais velho, ganhando o apelido carinhoso de “padre das vovós”.
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Essa mudança para um público mais jovem trouxe situações curiosas, como a reclamação de uma ouvinte ao ver o padre vestido de Homem-Aranha em uma atividade com adolescentes. Mesmo assim, Renan explica sua proposta e conta que o trabalho tem sido bem aceito, inclusive pelos pais, que o procuram para orientações sobre como dialogar com os filhos.
Desafios e superações no caminho pastoral
Renan também enfrenta momentos de desgaste. No final de 2025, passou por um período de esgotamento devido ao excesso de atividades e problemas familiares, incluindo a perda da avó e da tia. Esse episódio o levou a buscar acompanhamento profissional, reforçando a importância do cuidado com a saúde mental dentro da vida sacerdotal.
Apesar dos desafios, o padre encontra sentido em sua missão ao acompanhar a transformação e a alegria dos jovens e paroquianos. Um episódio que o marcou foi quando uma paroquiana confessou que gostava de ir às missas porque ele conseguia fazê-la sorrir. Para Renan, essa frase resume seu propósito: aproximar as pessoas da fé por meio da alegria e de uma linguagem com a qual elas se identifiquem.
