Registro Sonoro da Cultura Popular Cuiabana
O Grupo Flor Serrana acaba de lançar seu primeiro álbum, “Flor Serrana – As Tradições da Serra Abaixo”, um marco para a valorização da cultura popular de Cuiabá. O projeto, que contou com o apoio da prefeitura de cuiabá por meio da Secretaria Municipal de Cultura, foi possibilitado pelo Edital Gambira Cultural – Múltiplas Linguagens, executado com recursos da Lei Paulo Gustavo.
Com 19 faixas, o trabalho fonográfico reúne o repertório que acompanha o grupo desde sua fundação, incluindo canções que preservam a memória, religiosidade e identidade das comunidades rurais da Serra Abaixo e da Baixada Cuiabana. Disponível desde sexta-feira (7) nas plataformas Spotify e YouTube, o álbum amplia o acesso do público a um patrimônio cultural que até então era transmitido principalmente pela tradição oral.
Compromisso com o Patrimônio Imaterial
O investimento da Prefeitura reforça o compromisso da gestão municipal com a preservação do patrimônio cultural imaterial. A Secretaria Municipal de Cultura incentiva artistas, grupos e mestres da cultura popular a registrar e difundir suas produções para as novas gerações, garantindo que essas expressões culturais continuem vivas.
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Fundado em 2012 por Helena Maria e Nezinho, o Grupo Flor Serrana nasceu das tradicionais Festas de Santo das comunidades rurais cuiabanas, transformando essas vivências em um trabalho constante de valorização do siriri e do cururu. Em mais de uma década, o grupo consolidou-se como um dos principais representantes da cultura popular mato-grossense.
Repertório e Identidade Cultural
O álbum mistura composições autorais e adaptações de músicas tradicionais de autores como Nezinho (Almindo Reis de Oliveira), Jorginho (Jorge Manoel Aguiar), Jhordan Costa, Eduardo Andrade, Adelino Costa, Leocádio Silva e Vinicius Gonçalves, além de obras de domínio popular preservadas pela tradição oral. As canções destacam também a devoção aos padroeiros Santo Antônio, São Gonçalo e Nossa Senhora Aparecida, símbolos presentes na cultura das comunidades onde o grupo surgiu.
Para a dançarina e coreógrafa Kamily Amorim, o álbum é mais que um lançamento musical. “Ele representa um registro importante do patrimônio cultural imaterial de Mato Grosso. Em tempos em que grande parte do repertório tradicional permanece apenas na memória dos grupos e mestres, essa gravação ajuda a preservar essas canções e amplia seu acesso para novas gerações e públicos de várias regiões do país”, observa.
Produção Musical e Visual
A produção ficou a cargo do Home Studio Alcimar e Thomas do Rasqueado, responsáveis pela gravação, mixagem e masterização. O trabalho buscou manter a sonoridade característica do siriri tradicional, valorizando instrumentos como viola de cocho, ganzá e mocho. Além da música, o projeto investiu na identidade visual: a capa do álbum, criada pela artista Tamii, retrata elementos típicos da Serra Abaixo, como a estrada de chão, as serras, o pôr do sol da Baixada Cuiabana e os dançarinos de siriri, expressando a relação entre música, território e pertencimento.
Novos Espaços para a Cultura Cuiabana
O Grupo Flor Serrana é presença constante em importantes eventos culturais, como o Festival de siriri e cururu de Cuiabá, FIT Pantanal, Festival Vambora, Festival Velha Joana e Sesc Celebra Cuiabá, além de festivais nacionais em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Com o lançamento do álbum, o grupo inicia uma nova fase na sua trajetória.
De 20 a 28 de setembro, o coletivo representará Mato Grosso no 1º Festival Folclórico Internacional de Maceió, levando a tradição do siriri das comunidades rurais da Baixada Cuiabana para um público nacional e internacional. Para celebrar o lançamento, o grupo realizará no dia 5 de setembro uma festa com apresentações culturais e shows de artistas regionais. O evento terá também caráter beneficente para arrecadação de recursos para a participação da delegação no festival internacional.
