Palhaçaria de Terreiro: Uma celebração da cultura popular
“Floresta e as pedras pelo caminho” é um espetáculo que une música, dança, cantos e ritmos inspirados no universo da cultura popular dos terreiros. Fruto do encontro entre as atrizes e pesquisadoras Ana Carolina de Mello e Antônia Vilarinho, a montagem propõe uma abordagem única chamada Palhaçaria de Terreiro, idealizada por Antônia. Com classificação indicativa livre, o espetáculo será apresentado nos dias 03, 04 e 05 de julho em praças culturais dos bairros Parque Cuiabá, Pedra 90 e Jardim Vitória, em Cuiabá.
Uma palhaça que traz ancestralidade e brasilidade
A protagonista da peça é Floresta, palhaça criada por Ana Carolina sob a mentoria de Antônia Vilarinho, artista maranhense. Segundo Antônia, o espetáculo é uma obra que mistura música, dança e alegria, onde o riso funciona como uma reza ancestral. Ana Carolina traz para a criação uma conexão profunda com a cultura popular, incluindo referências ao maracatu, slam, natureza e o sentimento de pertencimento à terra, elementos que dialogam diretamente com a metodologia empregada na peça.
Metodologia contracolonial e coletiva
A Palhaçaria de Terreiro, enquanto metodologia, propõe uma perspectiva contracolonial da comicidade que integra corpo, ancestralidade, musicalidade e saberes tradicionais. Antônia explica que essa palhaçaria está vinculada aos saberes das culturas pretas, especialmente capoeira angola e práticas afro-religiosas, traçando um caminho ancestral para a criação artística. A direção do espetáculo foge do modelo tradicional: mais do que dirigir, Antônia “Orí-enta” o processo, numa referência à divindade iorubá Orí, ligada à essência e consciência individual. A criação é coletiva, permeada por influências das religiões de matriz africana e comunidades quilombolas, valorizando a circularidade e o cruzamento cultural.
Residência artística e construção do espetáculo
O trabalho teve início em abril, com uma residência artística em Cuiabá, onde o elenco participou de uma imersão conduzida por Antônia. Ana Carolina relata que esse momento foi um divisor de águas, que potencializou a corporeidade e a comicidade, valorizando a brasilidade na linguagem da palhaçaria. Após essa fase, o processo criativo seguiu com pesquisas e experimentações entre Ana Carolina e as sonoplastas Mariana Borealis e Lívia Freire. As sonoplastas também estarão em cena, trazendo percussão, canções populares e autorais que exploram ritmos como maracatu, forró e samba.
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O significado das pedras no caminho
O título do espetáculo faz referência aos desafios enfrentados por Floresta, a palhaça. Ana Carolina compartilha que o corpo cansado e treinado para o teatro precisou se reconectar com a escuta interior para superar o cansaço e aprender novas formas de comunicação corporal. A palhaçaria, segundo a mestra Yayá Vilarinho, é uma linguagem da verdade, onde a ação é o verbo e o verbo é objeto. Essa reflexão atravessa todo o processo de construção do espetáculo e da personagem.
Uma celebração para o público
Antônia destaca a potência criativa do encontro entre as artistas e espera que o público sinta-se parte dessa família da cultura popular, da palhaçaria e do circo. A proposta é oferecer um momento de celebração, alegria, amor e paz, sentimentos que ganham ainda mais significado no contexto atual.
Projeto contemplado e apoio institucional
“Floresta e as pedras pelo caminho” foi contemplado pelo edital Viver Cultura, da Política Nacional Aldir Blanc, e conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). O projeto reforça a importância da circulação artística e da valorização das manifestações culturais locais.
Da cena para a academia
Além da estreia do espetáculo, o processo criativo de Ana Carolina também se desdobra no meio acadêmico. Como mestranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGECCO-UFMT), ela pretende utilizar a experiência no desenvolvimento de sua dissertação, explorando a presença da palhaça na cultura afro-ameríndia e brasileira, com foco no corpo colonizado e na metodologia contracolonial da Palhaçaria de Terreiro.
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Encontro sobre Palhaçaria de Terreiro
Em 19 de junho, a Galeria Mandala sediou uma conversa com artistas e pesquisadores sobre a Palhaçaria de Terreiro. Antônia Vilarinho compartilhou sua trajetória que une arte, ancestralidade, corporeidade e saberes afrocentrados nos processos criativos da palhaçaria, fortalecendo a difusão dessa metodologia.
Serviço e ficha técnica
As apresentações acontecem nos seguintes locais e horários:
03/07, às 20h – Praça Cultural Bairro Parque Cuiabá (Av. Valter Gallucci, S/N)
04/07, às 19h – Praça Ana Martinha da Silva (Av. Newton Rabello de Castro, 403-455, Pedra 90)
05/07, às 19h – Praça Cultural do Jardim Vitória (Av. B, Jardim Vitória)
Ficha Técnica:
Direção: Dra. Antônia Vilarinho
Palhaça: Ana Carolina de Mello
Sonoplastia: Mariana Borealis e Lívia Freire
Iluminação: Xico Macedo
Objetos cênicos: Duda Dal Bello
Dramaturgia: Coletiva
Figurinista: Einstein Halking
Produção executiva: Anne Maldonado
Produção: Emilia Vendramin
Assistente de Produção: Ray Richard Artiaga
Fotógrafo: Francisco Alves
Assessor de imprensa: Túlio Paniago
Video Maker: Edu.Slum
Identidade Visual: Tamii Gondo Lage
Audiodescrição: Acessa Soluções em Acessibilidade
Intérprete de Libras: Larúbia Gualberto
Motorista: Juliana Soares Muniz Ferreira
Apoio: Galeria Mandala
