Déficit de Biomassa e Impacto na Economia Regional
Mato Grosso já enfrenta um apagão na oferta de biomassa proveniente de madeira reflorestada, alerta a Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta). Essa biomassa, essencial para várias indústrias locais, especialmente as agroindústrias e usinas de etanol, funciona como um insumo vital ao lado da energia elétrica. Em especial, a madeira de eucalipto reflorestado é preferida pelas caldeiras dessas usinas devido à sua eficiência na queima e ao ciclo sustentável da produção.
No entanto, a demanda está crescendo rapidamente e o mercado produtivo está em alerta. O presidente da Arefloresta, Fausto Takizawa, destaca que, para atender apenas a produção de etanol de milho prevista para 2026, Mato Grosso precisaria contar com 198 mil hectares de eucalipto plantado. Atualmente, o estado possui apenas 165 mil hectares, o que representa uma defasagem de 30 mil hectares. A projeção para 2030 é ainda mais preocupante, com necessidade estimada em 436 mil hectares, apenas para abastecer as biorrefinarias de milho. O desafio maior, segundo Takizawa, é o tempo para a primeira colheita, que só ocorrerá daqui a seis ou sete anos.
Pressão Sobre Florestas Nativas e Medidas Sustentáveis
Além do déficit interno, a Arefloresta alerta para o aumento do consumo de biomassa oriunda de florestas nativas, resultado de desmatamento autorizado, prática proibida pelo Código Florestal Brasileiro para grandes consumidores como indústrias. Para conter essa pressão, a associação tem dialogado com órgãos públicos e o setor produtivo para incentivar o reflorestamento.
A parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso visa criar um ambiente favorável para o crescimento dos plantios comerciais, enquanto se cobra que as grandes indústrias cumpram os Planos de Suprimento Sustentável previstos na legislação federal. Segundo Takizawa, essa é a única forma de reduzir a dependência da madeira nativa e conter o avanço do desmatamento, preservando a biodiversidade local.
Consumo Atual e Papel Ambiental das Florestas Plantadas
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) indicam que, em 2023, o consumo estadual de biomassa atingiu 14,16 milhões de metros cúbicos. Deste total, 47,5% vieram de florestas plantadas de eucalipto, enquanto 52,5% tiveram outras origens, não especificadas. Em 2022, o eucalipto reflorestado representava 59% da biomassa consumida em Mato Grosso.
O pesquisador Maurel Behling, da Embrapa Agrossilvipastoril, reforça a importância ambiental das florestas plantadas, que ajudam na descarbonização da economia e na proteção dos ecossistemas. Segundo ele, ao oferecer biomassa de forma planejada, essas plantações funcionam como um “escudo” que reduz a pressão sobre a vegetação nativa e, consequentemente, o desmatamento, garantindo a proteção da biodiversidade regional.
O atual cenário coloca Mato Grosso diante de um desafio crucial: equilibrar crescimento industrial e sustentabilidade ambiental para garantir o fornecimento contínuo de biomassa sem prejudicar os recursos naturais do estado.
