Rota Bioceânica: nova fronteira para ciência e economia em Mato Grosso do Sul
O avanço da Rota Bioceânica como eixo estratégico para o desenvolvimento econômico, científico e tecnológico de Mato Grosso do Sul foi o foco principal do Workshop CT&I na Rota Bioceânica, realizado em Campo Grande no dia 25 de maio de 2026. O evento, promovido pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), em parceria com o Senac Hub Academy, reuniu representantes de prefeituras dos municípios sul-mato-grossenses localizados ao longo do Corredor Rodoviário Bioceânico de Capricórnio, além de membros da Fundect, instituições de ensino superior e centros de pesquisa do Estado.
Integração que transforma a economia local e regional
Na abertura do workshop, o secretário da Semadesc, Artur Falcette, reforçou que o corredor representa muito mais do que uma obra de infraestrutura logística. “Essa rota promove uma transformação econômica, cultural e tecnológica para Mato Grosso do Sul”, afirmou. Ele destacou a mudança no perfil dos investidores interessados na região, com destaque para municípios como Porto Murtinho, Bela Vista e Sidrolândia, que passam a ocupar posição estratégica graças às novas conexões logísticas abertas pela integração sul-americana.
“Empresas já enxergam Mato Grosso do Sul como porta de entrada para insumos e componentes vindos do Sudeste Asiático, gerando novas oportunidades e colocando essas regiões no centro da dinâmica econômica”, explicou Falcette. Ele também ressaltou o papel fundamental da academia para embasar políticas públicas alinhadas à nova realidade econômica do estado. Para o secretário, a rota não se limita à infraestrutura, mas abre espaço para turismo, gastronomia, cultura e o surgimento de novas atividades econômicas, todas apoiadas pela ciência e inovação geradas pelas universidades locais.
Governança multinível e progresso das obras estruturantes
A assessora especial da Semadesc para a Rota Bioceânica, Danniele Paiva, detalhou o modelo de governança que integra Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, além do funcionamento do Comitê Estadual da Rota Bioceânica, criado pelo Decreto nº 16.366/2024. Segundo ela, Mato Grosso do Sul tem assumido protagonismo na coordenação de grupos técnicos e na articulação com municípios e parceiros institucionais.
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Fonte: indigenalise-se.com.br
Entre as obras estruturantes, destacou-se a ponte binacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, que já ultrapassa 90% de execução, além das vias de acesso no Brasil e Paraguai. As comissões técnicas do Foro discutem temas cruciais como turismo, segurança, saúde, educação, comércio exterior, infraestrutura e cidadania, reforçando a integração regional e o desenvolvimento sustentável.
Universidades e produção de conhecimento para o futuro da rota
O vice-reitor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), professor Dr. Albert Schiaveto de Souza, apresentou a visão estratégica do Conselho de Reitores das Instituições de Ensino Superior de Mato Grosso do Sul (CRIE-MS). O conselho, que reúne seis instituições públicas e privadas, atua como consultoria científica para o desenvolvimento da rota em parceria com o governo estadual.
O plano apresentado prevê posicionar Mato Grosso do Sul como polo logístico, científico e tecnológico da América do Sul, usando a Rota Bioceânica como vetor de integração econômica e cultural. Entre as iniciativas estão a criação de um observatório científico dedicado à rota, plataformas integradas de dados socioeconômicos e logísticos, estudos prospectivos, formação profissional, cooperação internacional e projetos para o desenvolvimento sustentável regional.
Além disso, o programa inclui ações em logística internacional, comércio exterior, inovação, economia criativa, turismo integrado, extensão universitária e incentivo à criação de startups alinhadas à economia regional emergente, mostrando um compromisso amplo com o crescimento e a diversificação econômica do estado.
CT&I como alavanca para competitividade e sustentabilidade
Encerrando o evento, o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, apresentou o subprograma Rota Bioceânica, parte do Programa Estadual de CT&I – MS Inova Mais. O objetivo é usar ciência, tecnologia e inovação para fomentar a integração, a competitividade e o desenvolvimento sustentável ao longo do corredor.
O programa promove parcerias entre governo, universidades, iniciativa privada e ecossistemas de inovação dos países envolvidos, focando em pesquisa aplicada, formação de capital humano, transferência de tecnologia, cooperação internacional e soluções para desafios estratégicos. Uma das entregas já em andamento é o Observatório da Rota, uma ferramenta integrada à plataforma MS Inova Mais e que será parte do Hub de Inovação da Rota Bioceânica, reunindo dados estratégicos e estudos para fomentar soluções inovadoras e fortalecer a competitividade regional.
“Queremos transformar Mato Grosso do Sul em um polo de ciência, inovação e desenvolvimento sustentável conectado à dinâmica da Rota Bioceânica”, destacou Ricardo Senna, reforçando o papel decisivo da ciência e tecnologia para consolidar o estado como protagonista na nova economia regional.
