Aumentos nos Preços dos Alimentos
Quem visitou os supermercados em março de 2026 notou um novo aumento nos preços de itens essenciais da cesta básica. De acordo com o estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, realizado pela Neogrid, tanto o leite quanto o feijão foram os campeões de alta, com um crescimento de 11,1% em seus preços. O litro do leite registrou um aumento significativo, passando de R$ 4,27 em fevereiro para R$ 4,75 em março. O feijão, por sua vez, subiu de R$ 6,76 para R$ 7,51.
Outros produtos também apresentaram aumento expressivo, como os legumes, que tiveram um aumento de 10,7%, seguidos dos ovos, que subiram 7,1%, e do papel higiênico, com reajuste de 3,6%. Marcelo Alves, gerente executivo de dados da Neogrid, destaca que “o cenário atual indica uma inflação concentrada em determinadas regiões, impactando diretamente o comportamento do consumidor, que agora busca mais eficiência, compara preços e ajusta sua cesta de compras”.
Por outro lado, alguns produtos ajudaram a aliviar parcialmente os gastos das famílias. As maiores quedas de preço foram registradas no açúcar, que teve uma redução de 6,1%, passando de R$ 3,98 para R$ 3,73. O café, tanto em pó quanto em grãos, caiu 4,7%, assim como a cerveja, que teve uma baixa de 4,6%. Outros itens que apresentaram queda foram a farinha de trigo (-3,9%) e o detergente líquido (-3,2%).
Olhando para o futuro, Alves sinaliza que a tendência é de continuidade da pressão em itens hortifrutis, que são mais suscetíveis a variações sazonais, enquanto as categorias industrializadas podem apresentar uma maior estabilidade. Isso deverá manter o consumidor atento aos preços e mais seletivo na hora da compra.
Variações de Preços na Região Centro-Oeste
Na região Centro-Oeste, os produtos que mostraram as maiores elevações de preço foram o leite UHT, com um aumento de 7,4%, seguido pelos queijos (7,3%) e pelo feijão (6,2%). O desinfetante e a farinha de mandioca também apresentaram altas, com variações de 4,9% e 4,4%, respectivamente. Em contrapartida, os maiores recuos foram observados na farinha de trigo (-20,2%), açúcar (-17,6%) e detergente líquido (-9%).
Elevação no Custo da Cesta Básica nas Capitais
Pelo segundo mês consecutivo, o custo da cesta básica aumentou em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal em abril. As mais significativas elevações foram registradas em Porto Velho, com uma variação média de 5,60%, seguida por Fortaleza (5,46%), Cuiabá (4,97%) e outras cidades. Os dados são da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em colaboração com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Desde março deste ano, a pesquisa já havia indicado altas em todas as capitais. No acumulado do ano, o aumento no preço médio da cesta básica variou entre 1,56% em São Luís e 14,80% em Aracaju. Um dos principais responsáveis por esse aumento foi o leite integral, que subiu em todas as capitais, com a maior alta em Teresina, onde a variação média chegou a 15,70%. Este aumento é atribuído à redução da oferta no campo devido à entressafra, que elevou o preço dos derivados lácteos.
O feijão também apresentou alta em 26 capitais, exceto em Vitória, onde não houve variação. O tomate, por sua vez, teve aumento em 25 cidades, com quedas no Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além de uma alta expressiva de 25% em Fortaleza. Produtos como pão francês, café em pó e carne bovina de primeira também tiveram altas em 22 das 27 cidades analisadas.
Cesta Básica Mais Cara em São Paulo
Mais uma vez, a cesta básica com o maior custo do país foi a de São Paulo, que alcançou R$ 906,14 em abril. Os preços de Cuiabá (R$ 880,06), Rio de Janeiro (R$ 879,03) e Florianópolis (R$ 847,26) também se destacaram. Nas regiões Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores foram registrados em Aracaju (R$ 619,32), São Luís (R$ 639,24), Maceió (R$ 652,94) e Porto Velho (R$ 658,35).
Baseando-se na cesta mais cara do país, no caso de São Paulo, e considerando a determinação constitucional que estipula que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir despesas básicas, o Dieese estimou que o salário mínimo deveria ser de R$ 7.612,49 até dezembro, o que corresponde a 4,70 vezes o mínimo atual de R$ 1.621.
