Um Novo Olhar sobre o Centro Histórico
As obras de revitalização e o planejamento para um novo Centro Histórico em Cuiabá têm ganhado destaque crescente nas discussões entre as autoridades locais. Resultado de anos de abandono, o atual cenário do Centro de Cuiabá é marcado por problemas como a insegurança, a mobilidade urbana precária e a ausência de um plano estratégico para o comércio. Dentre as várias propostas apresentadas para recuperar a área, a mais recente aposta é a habitação, uma alternativa que poderia trazer vida à região além do horário comercial, fomentar a segurança e permitir que o Centro recupere seu protagonismo na cidade.
A recuperação dessa área foi tema debatido no seminário “Cuiabá 2040: Planejando o Futuro da Capital”, realizado na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) na última terça-feira (28). Durante o evento, a professora doutora em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Luciana Mascaro, apresentou seu planejamento para habitação como uma das soluções essenciais para a revitalização.
cultura e Desafios do Centro Histórico
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Considerado o berço da cultura cuiabana, o Centro Histórico é repleto de casarões que narram a rica história do município. Contudo, o cenário atual revela um espaço marcado pela solidão e pelo descaso. Luciana, em sua apresentação, destacou um estudo que mapeou cerca de 300 imóveis abandonados na região. Para ilustrar esse fenômeno, ela utilizou a expressão “rosquinha”, que descreve o crescimento de bairros periféricos enquanto o Centro se esvazia, tornando-se cada vez mais desabitado.
Os dados apresentados por Luciana também revelaram que aproximadamente 50 imóveis estão em risco de colapso devido ao seu estado precário de conservação. No entanto, o levantamento trouxe um dado positivo: os moradores que permanecem na área valorizam a experiência de viver no Centro. Segundo a arquiteta, um estudo sobre o perfil das famílias revelou que a diversidade de comércio e serviços é um atrativo para os residentes.
A Importância da Segurança e Habitação
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Apesar do apreço dos moradores pela região, tanto Luciana quanto o arquiteto Jhonny Rother, que também participou do debate, ressaltaram a questão da segurança como um ponto crítico que precisa ser abordado. Ambos concordam que um plano de habitação é fundamental para essa transformação. “A segurança virá junto com as pessoas”, afirmou Luciana, enfatizando a relação entre a presença de moradores e a melhoria da segurança.
O presidente da CDL, Júnior Macagnan, corroborou essa visão ao afirmar que transformar o Centro Histórico em um polo habitacional é crucial para o desenvolvimento do comércio local. “Precisamos, em primeiro lugar, habitar o Centro Histórico. Precisamos criar condições e flexibilizar o entorno para viabilizar essa mudança, permitindo que aqueles que trabalham na região possam morar nela, aumentando assim a qualidade de vida e o tempo para lazer e convivência familiar”, argumentou.
Perspectivas Futuras com o Novo Plano Diretor
Na última quarta-feira (29), o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), também abordou a questão em uma coletiva de imprensa. Ele destacou que, pela primeira vez, o Centro Histórico faz parte do novo Plano Diretor da cidade. Arquiteto e urbanista, Abilio ressaltou a boa relação que vem mantendo com o Instituto Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) para dar continuidade às obras de restauração na área.
“Antes, não havia nenhum tratamento específico para o Centro Histórico dentro do Plano Diretor. Agora, temos iniciativas como o rebaixamento dos fios elétricos, a valorização das fachadas e um masterplan específico para o Centro Histórico. Pela primeira vez, essas características que valorizam essa parte da cidade estão incorporadas no plano diretor”, concluiu o prefeito.
