Suspeitas de desvio no uso de emendas parlamentares
A Operação Emenda Oculta está provocando um verdadeiro turbilhão político em Mato Grosso. No epicentro das investigações, encontramos o deputado estadual Elizeu Nascimento, do partido Novo, e seu irmão, Cezinha Nascimento, vereador de Cuiabá pelo União Brasil. Esta ação, promovida pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) do Ministério Público Estadual, investiga um suposto esquema envolvendo o desvio de emendas parlamentares, que deveriam ser destinadas ao Instituto Social Mato-Grossense (ISMAT) e ao Instituto Brasil Central (IBRACE).
Embora a investigação esteja sob sigilo, informações e documentos já divulgados pela mídia local revelam que Elizeu Nascimento teria direcionado mais de R$ 7,7 milhões em emendas ao ISMAT, que, segundo as apurações, estaria operando como uma espécie de fachada para a movimentação irregular de recursos públicos. Os indícios apontam que Elizeu e Cezinha teriam recebido cerca de R$ 720 mil como parte deste esquema.
Investigação revela saques em espécie e movimentações suspeitas
A investigação teve como ponto de partida relatórios do Coaf, que detectaram saques em espécie realizados pela empresa Sem Limite Esporte e Eventos Ltda., juntamente com o empresário João Nery Chiroli. O RDNews destaca três retiradas significativas que chamaram a atenção dos investigadores: R$ 250 mil em 16 de dezembro, R$ 350 mil em 23 de dezembro e, por fim, R$ 120 mil em 21 de janeiro, totalizando a quantia de R$ 720 mil em saques em dinheiro vivo.
Conforme os relatos, no primeiro saque, o empresário teria chegado ao banco portando uma mochila, retirado o montante e, em seguida, entrado em um veículo supostamente de propriedade de Elizeu Nascimento. Não parando por aí, após outro saque, Chiroli teria ido a um condomínio de luxo na capital, onde, de acordo com as investigações, se encontrou com Cezinha Nascimento.
Operação Emenda Oculta e seu impacto nas investigações
Os investigadores do Naco levantam a suspeita de que as emendas eram direcionadas a instituições como o ISMAT e o IBRACE e, posteriormente, parte dos recursos era devolvida através da empresa de João Nery Chiroli. Essa mesma empresa estava envolvida na Operação Gorjeta, que, em janeiro, investigou um desvio de aproximadamente R$ 3 milhões em emendas da Câmara de Cuiabá e da Secretaria Municipal de Esportes.
Além dos irmãos Nascimento, a operação também visa João Nery Chiroli, João Batista de Almeida e Silva, assessor de Elizeu, Samara Regina Lucas Barbosa, presidente do ISMAT, e Jony Silva, presidente do IBRACE. Todos eles enfrentaram mandados de busca e apreensão, tanto em suas residências quanto em seus veículos.
Apreensões e evolução da investigação
Durante as buscas, o Naco conseguiu apreender R$ 200 mil em espécie nas casas dos parlamentares: R$ 150 mil na residência de Elizeu e R$ 50 mil na de Cezinha. Também foram confiscados celulares, notebooks e documentos que estão sendo analisados para aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras e das conexões entre os institutos, a empresa e os políticos envolvidos.
A investigação aponta para a possibilidade de um esquema de ocultação de dinheiro público, onde as emendas eram destinadas a entidades, após o que os valores eram repassados a uma empresa contratada, e, por fim, uma parte do montante era sacada em espécie. Esse método tornaria difícil o rastreamento bancário e permitiria que os beneficiários do esquema recebessem dinheiro de forma clandestina.
Posicionamento das defesas
A defesa de Elizeu Nascimento declarou que ainda não teve acesso aos autos devido ao sigilo da investigação. Segundo a nota, o deputado tem colaborado com as diligências e aguarda novos desdobramentos para se manifestar de forma detalhada sobre a situação. A defesa acrescenta que o deputado reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições. Por sua vez, a defesa de Cezinha Nascimento foi contatada por veículos de comunicação locais, mas não apresentou declaração até o fechamento das matérias analisadas.
