Prioridades em Debate
O ex-governador Pedro Taques, também ex-senador e advogado, que atualmente preside o PSB em Mato Grosso, se reuniu na última semana com profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para discutir o que considera o desmonte do serviço no estado. Durante o encontro, Taques manifestou preocupação com as recentes denúncias sobre a redução do número de ambulâncias e o afastamento de 56 trabalhadores, o que tem gerado sérios impactos no atendimento de mais de 1,3 milhão de cidadãos que dependem desse serviço na Baixada Cuiabana.
A reunião contou com a presença das enfermeiras Lígia Cristiane Arfeli e Marilene Hiller, que relataram a perda significativa na capacidade operacional do Samu nos últimos meses. O sistema, que já contou com uma frota de 12 ambulâncias em atividade, atualmente opera apenas com quatro, um cenário que compromete a cobertura essencial para a região.
Leia também: Comissão de Saúde Analisa Transferência do Samu em Cuiabá para os Bombeiros
Leia também: Mato Grosso Expande Atendimento Pré-Hospitalar com Parceria entre Bombeiros e Samu
A Central de Regulação de Cuiabá, como explicaram as profissionais, é responsável pelo atendimento em diversas localidades, incluindo Cuiabá, Várzea Grande, Poconé e Chapada dos Guimarães, demonstrando a importância do Samu para a saúde pública local.
Impactos na Saúde Pública
Durante o encontro, Pedro Taques enfatizou que “não é aceitável desmontar um serviço que salva vidas diariamente”. Ele ainda destacou que o Samu já auxiliou na salvaguarda de mais de 500 mil vidas ao longo de sua atuação e que a redução de recursos, conforme argumentado pelo governo, não trará economia, mas representará uma perda financeira significativa.
Leia também: Integração entre Samu e Corpo de Bombeiros: Melhorias no Atendimento Pré-Hospitalar em Mato Grosso
Leia também: Integração entre Samu e Bombeiros Aumenta Eficiência no Atendimento Pré-Hospitalar em MT
As enfermeiras presentes refletiram sobre os desafios enfrentados, reiterando que o corte nos serviços de emergência é uma decisão insensível. Lígia Cristiane Arfeli afirmou que a justificativa para as mudanças não se sustenta, considerando que a diminuição do serviço comprometerá, em última análise, a saúde da população. Segundo ela, a situação retrata uma clara falta de prioridades por parte do governo.
Comparação com Projetos de Grande Escala
Taques também fez uma crítica ao fato de que, enquanto o Samu enfrenta cortes, investimentos de R$ 70 milhões estão sendo direcionados para a construção de uma roda-gigante. “Como é possível que se destinem recursos dessa magnitude para um projeto de entretenimento em detrimento de um serviço essencial que atende a população?”, questionou o ex-governador, ressaltando o contraste entre as prioridades financeiras do estado.
Os profissionais de saúde que participaram da reunião não hesitaram em expressar sua indignação em relação à situação. De acordo com Marilene Hiller, a diminuição no apoio ao Samu reflete uma falta de compreensão sobre a importância crítica que esse serviço possui para a comunidade. “A saúde deve ser a prioridade, e o Samu é uma parte vital desse sistema”, afirmou.
Com uma população estimada em mais de 1,3 milhão de habitantes dependendo do Samu, a pressão sobre o governo para reverter essa situação cresce. Os relatos de enfermeiras e do ex-senador ecoam a necessidade urgente de reavaliar as decisões orçamentárias e priorizar serviços que efetivamente salvam vidas antes que seja tarde demais.
