Uma Grande Celebração da Cultura Brasileira
O 21º Salão do Artesanato – Raízes Brasileiras está transformando o Pavilhão do Parque da Cidade em um vibrante ponto de encontro da cultura popular até este domingo, dia 5 de abril. Com a participação de artesãos de 21 estados e do Distrito Federal, o evento já se consolidou como uma das principais vitrines do artesanato no Brasil, reunindo as mais variadas expressões artísticas.
Com entrada gratuita e uma programação diversificada, o salão se destaca não apenas pela exposição e venda de peças, mas também por oferecer oficinas de gastronomia e artesanato, além de apresentações culturais que incluem música, cordel, teatro infantil e palhaçaria, proporcionando uma experiência enriquecedora para toda a família. Ao todo, cerca de 100 mil peças estão disponíveis, refletindo a diversidade de técnicas e materiais que vão do barro à madeira, passando por fibras naturais, pedras e sementes.
Histórias que Encantam
Mais do que apenas itens à venda, o salão é um espaço onde o público pode se conectar com as histórias por trás das obras. Um dos artesãos presentes é Nawan Lodey, de 42 anos, que chegou ao Brasil vindo do Butão. Ele traz consigo uma técnica milenar ligada à tradição budista. “Minha arte é tradicional e tem uma história de 2.500 anos. O método que utilizamos hoje é o mesmo que no passado,” explica. Para Nawan, participar do salão é uma excelente oportunidade. “Aprendo muito e faço muitos amigos aqui,” conta, visivelmente encantado com a receptividade do povo brasileiro.
A trajetória de Rafaela Lopes, uma artesã de Fortaleza (CE), também é repleta de ensinamentos. Filha de artesã, ela cresceu em feiras e encontrou na cerâmica sua principal forma de expressão. “Comecei no artesanato por influência da minha mãe, que me transmitiu seu conhecimento,” relata. Hoje, Rafaela combina sua produção artesanal com a arte-educação, uma forma de sustentar-se em um campo muitas vezes instável. “Eventos como este são essenciais para nós, pois proporcionam uma oportunidade de networking e escoamento da produção,” afirma.
Reinvenções e Novas Trajetórias
O evento também é um espaço para histórias de reinvenção, como a de Felipe Andrade, 49 anos, que se aventurou no artesanato durante a pandemia. Com formação em educação física, ele viu na crise uma chance de recomeço. “A necessidade me fez reinventar. Aqui estou, criando peças inspiradas nos ipês, que são símbolos de Brasília,” explica. Isso mostra como o artesanato pode ser uma forma de redescoberta pessoal e profissional.
Além dele, Josi Vitorino, de 43 anos, trouxe para o salão sua trajetória autodidata, desenvolvendo suas habilidades durante viagens pelo Brasil. “Conhecer as culturas e a arte de rua me ajudou a nutrir meu trabalho com macramê,” compartilha. Para Josi, a interação com o público é um dos maiores prazeres: “As pessoas reconhecem meu trabalho, e isso gera uma conexão incrível.”
O Encanto do Público
Entre os visitantes, o encanto é palpável. A empresária Maria Clara Neri e a advogada Carla Maccarini, ambas de 34 anos, decidiram explorar o evento após ver sua divulgação online. “Procuramos sempre o artesanato local quando viajamos,” diz Maria Clara. As duas ficaram agradavelmente surpreendidas com a qualidade das peças expostas. “O que encontramos aqui são obras originais e autênticas,” destaca Carla.
Para muitas famílias, o salão é também uma opção de lazer. Osmar Fernandes, 46 anos, que foi ao evento com sua mãe e filho, destacou o ambiente acolhedor: “É um espaço excelente, com brinquedos para as crianças, ideal para quem vem em família.”
A psicanalista e escritora Márcia Lucena, 51 anos, frequenta o salão regularmente e ressalta a importância cultural do evento. “Valorizar a diversidade artística do nosso país e apoiar o pequeno artesão é crucial,” afirma. Ela também comenta sobre a atenção dada às peças feitas com materiais naturais: “O desafio é resistir e não comprar demais,” conclui.
