Crescimento Exponencial das Internações por Influenza
A baixa cuiabana enfrenta um desafio inesperado com o avanço da influenza. Em março de 2026, as internações em enfermarias dispararam em impressionantes 300%, além do aumento significativo de casos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para adultos, crianças e recém-nascidos. Os dados mais recentes indicam uma alta na taxa de positividade dos testes realizados, gerando preocupação entre os profissionais de saúde. A médica infectologista Kadja Leite, especialista em controle de infecções hospitalares, avaliou que essa situação atípica requer investigação minuciosa.
Atuando no hospital Femina e na Amecor, em Várzea Grande, Kadja observou um crescimento alarmante na quantidade de internações. Enquanto anteriormente eram registrados cerca de dois pacientes por infecções respiratórias, atualmente esse número saltou para sete. Os resultados dos testes de Influenza A também apresentaram uma alta expressiva, o que sinaliza um quadro crítico.
A médica notou um aumento nos casos já na primeira quinzena de março, embora, tradicionalmente, os casos de influenza comecem a subir no outono e atinjam o pico no inverno. Este ano, contudo, a incidência se antecipou, e o fenômeno se estende por mais de um mês, o que gerou um alerta na comunidade médica.
Fatores Contribuintes para o Aumento
Autoridades locais atribuem o crescimento das internações ao aumento das chuvas. O mês de fevereiro registrou um recorde de precipitações na capital, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Apesar disso, Kadja Leite se opõe a essa análise. Segundo ela, o vírus da influenza tende a prosperar em temperaturas mais amenas, e as condições climáticas atuais não corroboram essa teoria. Assim, reforça a necessidade de um exame mais aprofundado da situação epidemiológica.
Emergência nos Hospitais e Atendimento Intensificado
A Vigilância Epidemiológica revelou que os casos de influenza A e B aumentaram 824% em comparação ao ano anterior. Em resposta a essa crise, a Prefeitura de Cuiabá, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), intensificou os serviços nas unidades de urgência e emergência. A rede municipal está funcionando em atenção redobrada, com equipes ampliadas e monitoramento contínuo dos casos.
No mês de março, 35% dos atendimentos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) foram relacionados à Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag), um problema que abrange infecções respiratórias variadas, incluindo a influenza e o coronavírus. O Boletim da Fiocruz, divulgado na sexta-feira, alerta para um risco máximo da síndrome em Mato Grosso, com o estado se destacando na região Centro-Oeste.
Vacinação em Trânsito
Em uma coletiva de imprensa no dia 25 de março, o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, classificou a situação da influenza como “preocupante” e enfatizou a importância da vacinação para evitar uma epidemia. Embora fossem esperadas 80 mil doses de vacinas, apenas uma parte do total chegou às secretarias municipais, prejudicando o planejamento.
O dia D da vacinação contra a influenza, programado para o sábado (28), foi postergado em Cuiabá e Várzea Grande devido à entrega tardia e insuficiente de vacinas por parte do Ministério da Saúde. A imunização em Várzea Grande será iniciada em 1º de abril, enquanto Cuiabá terá que aguardar até o dia 25 de abril, um mês após a data inicialmente prevista, dificultando ainda mais a resposta ao surto.
