Operação Agro-Fantasma: Ações em Mato Grosso
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta quarta-feira (4) a Operação Agro-Fantasma, que investiga um esquema fraudulento de compra e venda de grãos. O caso já causou prejuízos de mais de R$ 58 milhões a um produtor rural. Entre os alvos da operação está o ex-deputado estadual Sérgio Pereira Assis, que foi preso em flagrante por porte ilegal de munições.
A operação abrange diversas cidades, incluindo a capital Campo Grande, onde equipes do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) e da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos e Assaltos e Sequestros) estão atuando. No total, estão sendo cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, que incluem o bloqueio de contas bancárias e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados. As ordens judiciais foram emitidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cáceres, com base em investigações da Delegacia de Polícia de Comodoro (MT) que apura crimes de estelionato e associação criminosa.
Cidades Incluídas na Ação
Os mandados da Operação Agro-Fantasma estão sendo executados em Cuiabá (MT), Alto Taquari (MT) e Campo Grande. Os alvos principais são as empresas Imaculada Agronegócios Ltda e Santa Felicidade Agroindústria Ltda, supostamente ligadas a Pedro Henrique Cardoso e Mário Sérgio Cometki Assis, filho de Sérgio Assis, também implicados nas investigações.
De acordo com a investigação, o caso teve início quando um produtor rural de 56 anos denunciou que foi contatado durante a colheita da soja em 2025 por um corretor que se apresentou como representante das empresas mencionadas. Inicialmente, o produtor realizou negociações menores de venda de soja, todas pagas regularmente, o que lhe deu confiança em continuar as transações. Em uma dessas transações, ele até chegou a ver 17 caminhões de grãos retidos até a confirmação de pagamento.
As Consequências das Negociações
O produtor passou a adquirir grãos de terceiros em seu nome, com a promessa de que os pagamentos seriam feitos pelo grupo nos prazos estabelecidos. Com base nas garantias apresentadas pelas empresas, que incluíam robustez financeira, o produtor assumiu compromissos que ultrapassaram R$ 70 milhões.
Até novembro de 2025, os pagamentos estavam sendo realizados normalmente. No entanto, em dezembro, os investigados pararam de efetuar os pagamentos, tornando-se inadimplentes e colocando o produtor em uma situação financeira complicada. Para honrar parte das obrigações, ele teve que contrair empréstimos, totalizando R$ 23,5 milhões, o que incluía recursos de uma cooperativa e de um banco.
Irregularidades e Apreensões
Além do envolvimento em negociações de grãos, o produtor também relatou a venda de uma aeronave ao grupo por R$ 5.817.660,00, recebendo apenas uma fração desse valor, restando uma dívida significativa desde janeiro de 2026. O avião, por sua vez, foi apreendido.
Como garantia das negociações, um imóvel foi indicado, que segundo o registro policial, está envolvido em disputas judiciais e apresenta indícios de alienações sem comprovação de pagamento. O advogado Miguel Zaim, que defende Mário Assis e seu pai, Sérgio Assis, comentou que o produtor rural fez ameaças tanto aos sócios da empresa quanto a seus familiares, levando à solicitação de uma medida protetiva. Zaim ressaltou que não há dívidas pendentes por parte da empresa com o produtor.
Defesa e Implicações Legais
Segundo o advogado, houve negociação, mas o agricultor estaria tentando cobrar juros considerados abusivos. Zaim descreve o caso como uma narrativa de um ato negocial, afirmando que o produtor começou a fazer ameaças sérias, resultando na medida protetiva. Ele enfatizou que Sérgio Assis não mantém vínculo com o grupo investigado, mesmo após ter sido alvo de busca e autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Ele recebeu fiança e foi liberado.
