Alta nos Preços dos Combustíveis no Brasil
No final de março, os preços dos combustíveis no Brasil apresentaram uma significativa alta, com o diesel assumindo o papel central nesse aumento. O diesel S-10 viu seu valor aumentar em 14,0%, enquanto o diesel comum registrou uma elevação de 12,9%. Esses aumentos foram impulsionados por um reajuste de R$ 0,38 por litro implementado pela Petrobras, que foi repassado aos consumidores. Em contraste, as gasolinas tiveram elevações mais modestas de 3,5% para a comum e 3,1% para a aditivada. O etanol e o GNV também mostraram variações menores, com aumentos de 0,8% e 1,2%, respectivamente. Em meio a esse cenário, Mato Grosso destaca-se com o 4º maior preço do diesel do país, com a média de R$ 7,421 por litro.
Os dados apresentados são oriundos do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, que recebeu apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Os números revelam que, atualmente, o litro do diesel S-10 varia em torno de R$ 7,065, enquanto o diesel comum apresenta preços em torno de R$ 6,923. A gasolina comum está cotada a R$ 6,609, e a aditivada a R$ 6,734. O etanol hidratado está sendo vendido a R$ 4,743, e o GNV a R$ 4,527.
Causas das Aumentos nos Combustíveis
A alta nos preços foi generalizada, mas teve como protagonistas os combustíveis derivados de petróleo, que estão mais suscetíveis às oscilações do mercado internacional. No acumulado do primeiro trimestre, o diesel S-10 acumulou um aumento de 14,3%, enquanto o diesel comum teve uma alta de 13,1%. Em um recorte de 12 meses, observou-se uma pressão contínua nos preços, com exceção do GNV, que teve uma leve queda de 5,7%.
O pano de fundo dessa escalada é o agravamento do conflito no Oriente Médio, que ampliou os riscos de interrupções no Estreito de Ormuz e, consequentemente, elevou o preço do Brent acima de US$ 100 em março. No Brasil, essa situação foi exacerbada pelos reajustes nas refinarias e pelos custos relacionados à importação. Apesar das medidas governamentais, como a isenção de PIS/Cofins e a subvenção ao diesel, que visavam reduzir o impacto sobre o consumidor, os aumentos ainda foram inevitáveis. A Petrobras, no final do mês, tentou mitigar o risco de desabastecimento ao aumentar a oferta.
Desempenho do Etanol e GNV
No setor do etanol, a entressafra da cana-de-açúcar limitou a oferta e sustentou os preços, mesmo que de forma menos intensa. Por outro lado, o GNV continuou sendo uma exceção, apresentando uma leve alta mensal, mas com quedas no acumulado.
Dados Regionais sobre Preços de Combustíveis
Os dados também permitem observar as disparidades regionais nos preços. Os cinco estados com a gasolina comum mais cara, em março de 2026, são:
- Acre — R$ 7,550
- Roraima — R$ 7,438
- Amazonas — R$ 7,256
- Rondônia — R$ 7,195
- Bahia — R$ 7,086
Em relação ao etanol hidratado, os preços mais altos foram registrados nos seguintes estados:
- Rio Grande do Norte — R$ 5,798
- Rondônia — R$ 5,567
- Amazonas — R$ 5,547
- Roraima — R$ 5,537
- Pernambuco — R$ 5,513
Para o diesel S-10, os cinco estados com os preços mais elevados são:
- Acre — R$ 7,980
- Tocantins — R$ 7,537
- Roraima — R$ 7,428
- Mato Grosso — R$ 7,421
- Goiás — R$ 7,376
Essa concentração de preços elevados nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil pode ser atribuída a fatores logísticos e à maior dependência dessas áreas em relação ao abastecimento, resultando em preços finais mais altos para o consumidor.
