Ação Contra o Crime Organizado
A Polícia Civil de Mato Grosso lançou, nesta quinta-feira (26 de março), a Operação Speakeasy, uma ação de grande envergadura que resulta no cumprimento de 100 ordens judiciais direcionadas a integrantes de um esquema criminoso associado à lavagem de dinheiro para líderes de uma facção criminosa atuante em vários municípios do estado.
As ordens foram executadas em localidades como Cuiabá, Várzea Grande, Pontes e Lacerda, além de abrangentes operações em Goiânia (GO) e Barueri (SP). Dentre as ações, destacam-se a prisão preventiva de 12 indivíduos, 12 mandados de busca e apreensão, 35 sequestros de veículos e 29 bloqueios de contas bancárias. Todas as ordens foram autorizadas pela Vara do Juízo das Garantias da Comarca de Cuiabá.
Investigações que Revelaram Conexões Criminosas
As investigações, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) em conjunto com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), tiveram início em 2024, a partir da localização de um veículo registrado em uma empresa de Várzea Grande. O automóvel estava sob a posse do líder da facção criminosa local. Este vínculo inicial possibilitou à polícia desvendar uma conexão direta entre a empresa e o grupo criminoso, revelando um esquema de lavagens de dinheiro mais amplo.
Os resultados das investigações mostraram que os envolvidos operavam na lavagem de dinheiro sob a tutela de líderes da facção, muitos dos quais estão presos ou são considerados foragidos. Esses indivíduos apresentavam um estilo de vida exorbitante, possuindo veículos e imóveis de luxo, mesmo sem apresentar uma profissão registrada ou declarações de renda que justificassem tal padrão de vida. A análise revelou que alguns dos alvos estavam diretamente ligados à facção, enquanto outros atuavam como integrantes do grupo criminoso.
Empresas de Fachada e Movimentações Milionárias
Conforme as investigações avançaram, ficou evidente que a lavagem de dinheiro se dava através da utilização de empresas de fachada, frequentemente ligadas ao comércio de bebidas alcoólicas, joias e produtos eletrônicos. Essas operações eram concentradas nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Goiânia e geraram uma movimentação financeira impressionante, estimada em cerca de R$ 200 milhões entre janeiro de 2021 e 2025.
Durante a operação, foram apreendidos não apenas veículos de luxo, mas também joias, celulares e notebooks que provavelmente contêm informações relevantes para os inquéritos. Todo o material apreendido, assim como os indivíduos detidos, foi encaminhado à delegacia para os procedimentos legais necessários. O cumprimento das ordens judiciais contou com o suporte das equipes da Delegacia Regional de Pontes de Lacerda, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo, além das unidades da Draco em Sinop, Goiânia e Campo Grande.
Origem do Nome da Operação
O nome da operação, “Speakeasy”, remete aos bares clandestinos que surgiram durante a Lei Seca nos Estados Unidos, na década de 1930, onde a venda de bebidas alcoólicas era feita de forma ilegal. Até os dias atuais, os “speakeasies” são recordados como locais secretos de venda de bebidas. Na operação, a lavagem de dinheiro é principalmente realizada através da criação de empresas destinadas à distribuição de bebidas alcoólicas.
Integração de Esforços Contra a Criminalidade
A Operação Speakeasy se insere nas estratégias da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim). Esta rede é composta por delegados e promotores de Justiça de todos os estados e do Distrito Federal, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O objetivo central é promover um combate efetivo e duradouro à criminalidade organizada no Brasil.
