Hospital da Paraíba Realiza Procedimentos Inovadores
Desde outubro do ano passado, o Brasil deu um passo significativo na área de telemedicina com a introdução da cirurgia robótica remota, permitindo a realização de procedimentos com médicos e pacientes em localidades distantes. Inicialmente restrita às regiões Sul e Sudeste devido ao alto custo dos equipamentos, a telecirurgia começa a ganhar força em outras partes do país. A Paraíba, por exemplo, destaca-se como um novo centro de excelência em cirurgia robótica e telemedicina, facilitando o acesso a essa tecnologia inovadora.
Nos dias 19 e 20 de outubro, o Hospital Alberto Urquiza Wanderley, uma unidade de alta complexidade vinculada à Unimed João Pessoa, realizou três cirurgias robóticas à distância. Especialistas que participaram das operações já estão preparando publicações científicas para documentar esse feito, sendo uma das cirurgias considerada pioneira nas Américas e as outras duas, as primeiras da América Latina.
Conexão de 3.200 km
Os procedimentos conectaram João Pessoa a Curitiba, no Paraná, onde os cirurgiões operaram o robô da Unimed JP a uma distância impressionante de 3.200 quilômetros. A Unimed JP contou com o suporte do Scolla, um centro de treinamento reconhecido na América Latina para procedimentos minimamente invasivos.
Na quinta-feira, ocorreu uma revascularização do miocárdio, um marco histórico não apenas para a Paraíba, mas para todo o Brasil, pois se tratou da primeira cirurgia cardíaca realizada à distância nas Américas. O cirurgião cardiovascular Maurílio Onofre Deininger, que atuou na equipe do Hospital Alberto Urquiza, destacou a importância desse momento. O robô foi operado pelo cirurgião Rodrigo Ribeiro de Souza, que estava na sede da Scolla.
O paciente, Robson Luiz Pereira Neves, de 53 anos, teve um rápido processo de recuperação. Apenas duas horas após a cirurgia, ele foi extubado e já se sentia bem. “Menos de 24 horas depois da cirurgia, já andei, ‘pedalei’ e fiz alguns exercícios. Sinto que a recuperação vai ser muito mais rápida devido à robótica”, declarou Robson.
Novos Procedimentos Robóticos
Na sexta-feira, foram realizadas mais duas cirurgias. Durante a manhã, a primeira telecirurgia bariátrica e, à tarde, uma histerectomia total, onde o útero e o colo do útero foram removidos. Os médicos ressaltaram que a cirurgia robótica e a telecirurgia oferecem benefícios como maior precisão, recuperação acelerada, menos dor no pós-operatório, diminuição do tempo de internação, menor sangramento e redução do risco de infecção.
A primeira telecirurgia robótica não experimental do Brasil ocorreu em 6 de outubro de 2025, quando um cirurgião de São Paulo conduziu uma operação em um paciente em Porto Alegre. Contudo, como apontaram os médicos em João Pessoa, essa foi a primeira vez que a telecirurgia robótica foi aplicada em procedimentos de alta complexidade, colocando o Brasil na vanguarda da inovação em saúde.
Debate sobre o Futuro da Telemedicina
No mesmo período, a Unimed João Pessoa organizou o evento ‘Inova Robótica’, que discutiu as perspectivas para o futuro da medicina, enfocando a inovação, a integração e a sustentabilidade na implementação da cirurgia robótica. Gualter Lisboa Ramalho, presidente da Unimed João Pessoa, afirmou: “Estamos construindo um pouco mais de história.”
Em outubro do ano passado, a Unimed realizou a primeira telecirurgia robótica do mundo usando internet de baixo custo, em um evento nacional em João Pessoa. Ramalho também mencionou que mais de 50 cooperativas médicas já se juntaram ao programa, com planos para estabelecer o maior polo de cirurgia digital do mundo no Brasil.
Perspectivas Futuras e Desafios
O vice-presidente da Unimed do Brasil, Paulo Faria, informou que a instituição está comprometida em liderar essa transformação digital com responsabilidade e visão estratégica. Ele enfatizou que a evolução não é uma escolha, mas sim uma necessidade para que a Unimed permaneça relevante no cenário atual.
Entretanto, o custo ainda é uma preocupação para a implementação da cirurgia robótica e da telecirurgia. Faria acredita que, com o tempo, essa realidade deve mudar. “A inovação geralmente tem um custo elevado, mas tende a se tornar mais acessível à medida que evolui”, comentou.
Além do investimento na aquisição de equipamentos, é fundamental capacitar os médicos e toda a equipe envolvida. A Unimed JP já iniciou uma parceria com a Scolla para constituir um polo de formação em João Pessoa, que atenderá todo o Nordeste. Marcelo Loureiro, fundador e diretor científico da Scolla, destacou a importância de estar sempre um passo à frente na medicina: “É necessário evoluir constantemente.” Ele acredita que o que está sendo feito na saúde suplementar pode servir de inspiração para o setor público.
