O Desafio da Colheita de Maçãs
Os produtores de maçã nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul enfrentam um problema significativo: a escassez de mão de obra para a colheita da safra de 2026. Essa situação se agrava pela preocupação de beneficiários do Bolsa Família em perderem o auxílio ao aceitarem empregos temporários, que exigem colheita manual e oferecem remunerações de até R$ 3 mil por 90 dias de trabalho.
Impacto na Contratação de Trabalhadores
A falta de mão de obra é severa, especialmente considerando que a colheita ocorre entre janeiro e abril, demandando cerca de 70 mil trabalhadores. Muitos candidatos acabam desistindo das oportunidades temporárias devido ao medo de que um aumento na renda resulte no cancelamento do Bolsa Família, o que os deixaria vulneráveis financeiramente assim que o contrato encerrasse.
Salário e Renda Familiar
O salário oferecido na colheita média é de aproximadamente R$ 3 mil. Para uma família de quatro pessoas, por exemplo, esse valor eleva a renda mensal por membro para cerca de R$ 1.218, uma quantia que ultrapassa o limite de R$ 218 estipulado pelo programa. Apesar de existirem diretrizes de transição, o cálculo da média anual de renda desencoraja aqueles que dependem da garantia de um auxílio mensal fixo.
Regiões Mais Afetadas pela Escassez
A falta de mão de obra não é um problema isolado, mas sua gravidade varia pelo país. No entanto, as regiões da Serra Catarinense e do Rio Grande do Sul, que juntas respondem por 95% da produção nacional de maçãs, são as mais impactadas. Municípios como Vacaria, Fraiburgo e São Joaquim enfrentam grandes dificuldades para recrutar trabalhadores, especialmente entre os pequenos agricultores.
Iniciativas para Mitigar o Problema
Para tentar resolver essa questão, foi proposto o ‘PL dos Safristas’ (projeto de lei 715/2023), que visa assegurar que a remuneração dos contratos de safra não acarrete a perda dos benefícios sociais. Essa proposta tem como objetivo encorajar a contratação formal nas lavouras, permitindo que as famílias não fiquem desprovidas após o término da colheita. O projeto aguarda a análise final na Câmara dos Deputados.
Posição do Governo em Relação ao Bolsa Família
O Ministério do Desenvolvimento Social assegura que o sistema já considera as flutuações de renda sazonais e utiliza o menor valor entre o mês atual e a média dos últimos 12 meses para determinar a permanência no programa. Além disso, as famílias que saírem do Bolsa Família devido ao aumento de renda têm até 36 meses para solicitar retorno prioritário, caso voltem a necessitar do auxílio.
