Decisão Judicial em Foco
O juiz Leonardo de Campos Costa e Silva Pitaluga, atuando na Quarta Vara Especializada em Direito Bancário de Cuiabá, determinou a penhora das contas bancárias do empresário José Clovis Pezzin de Almeida, popularmente conhecido como Marlon Pezzin. O empresário, figura controversa na capital mato-grossense, é alvo de várias acusações, incluindo violência doméstica e um atropelamento envolvendo um luxuoso carro esportivo. Ele deve à Cooperativa de Crédito dos Médicos, Profissionais da Saúde e Empresários de Mato Grosso (Unicred) o valor de R$ 158 mil, referente a dívidas acumuladas em um cartão de crédito.
No início de dezembro de 2025, Pezzin foi detido sob a suspeita de agredir a ex-esposa, de apenas 26 anos, após várias tentativas de separação por parte da mulher. Durante o relacionamento, que durou quatro anos, a vítima relatou ter vivenciado um ciclo contínuo de abusos, incluindo violência psicológica e física.
Dívidas e Ação Judicial
No processo que culminou na autorização da penhora, a Unicred cobra um total de R$ 75.453,69, a quantia original relacionada ao cartão de crédito da instituição, que possui bandeira Visa. O valor total, com juros e encargos, chega a R$ 158.322,99, conforme o último cálculo apresentado. O processo já transitou em julgado e está na fase de cumprimento de sentença, mas o empresário não efetuou o pagamento espontaneamente. Diante disso, a cooperativa solicitou a penhora de bens e contas bancárias de Marlon Pezzin.
Na sua decisão, o juiz destacou que a Unicred não apresentou alteração na situação patrimonial de Pezzin que justificasse a reiteração de pedidos semelhantes já feitos anteriormente. Contudo, o magistrado permitiu a atualização da pesquisa de valores nas contas bancárias do empresário, a fim de monitorar possíveis entradas de recursos. “O princípio da economia processual e da efetividade da prestação jurisdicional impõe que não sejam repetidas desnecessariamente as mesmas diligências, mormente quando não há elementos novos que indiquem alteração no quadro patrimonial do devedor”, afirmou o juiz.
Acusações de Violência Doméstica
Além dos problemas financeiros, Pezzin responde a uma ação penal relacionada a agressões contra sua ex-companheira, um caso que se assemelha ao episódio que resultou em sua prisão recentemente. Atualmente, ele está detido no presídio Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande. A mulher acusou o empresário de humilhações, ciúmes obsessivos e ameaças de morte, que se intensificaram a cada tentativa de separação.
Durante as investigações na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) em Cuiabá, a ex-esposa relatou diversos momentos de violência, incluindo uma ocorrência em que sofreu fraturas após um acidente envolvendo um Porsche, que teria sido provocado por Pezzin em janeiro de 2024. Ela também mencionou episódios em que teve sua integridade física ameaçada, além de chantagens e até o uso de sua identidade para contração de dívidas.
Outros Conflitos e Acidentes
Marlon Pezzin também está sendo processado por Gabriel de Paula Parabas Feitosa, um frentista que exige R$ 822 mil por danos morais e materiais decorrentes de um acidente de trânsito em que Pezzin, supostamente embriagado, atropelou Gabriel em um racha na Estrada da Guia, em janeiro de 2024. O acidente resultou em graves lesões ao frentista, que requer cuidados médicos prolongados devido às sequelas permanentes.
Em junho, Pezzin novamente chamou a atenção da mídia ao causar danos ao deck de um restaurante em Cuiabá, após ser expulso do local por estar alterado. Ele colidiu com o carro e atingiu sua própria tia durante uma manobra imprudente, fugindo do local sem prestar socorro.
Histórico Judicial e Considerações Finais
Pezzin acumula um extenso histórico de ações judiciais em Mato Grosso, com pelo menos 24 processos, incluindo dívidas com diversas instituições financeiras, investigações sobre tráfico de drogas e agressões. Recentemente, ele foi alvo de um pedido de exame de sanidade mental, levantando questões sobre sua capacidade de enfrentar os processos que o envolvem.
Ainda em 2024, ele foi detido em uma operação contra tráfico e lavagem de dinheiro, e embora tenha sido liberado, sua situação financeira se agrava com dívidas que ultrapassam R$ 190 mil relacionadas a royalties de extração de ouro. No âmbito do Condomínio Florais do Valle, ele enfrenta um processo devido ao não pagamento de multas por festas barulhentas, totalizando R$ 20.853,62.
