Uma História Ignorada
No marco de 250 anos da construção do casarão que acolheu a primeira Assembleia Provincial de Mato Grosso, o que deveria ser uma celebração se transforma em um lamento pelo abandono. O edifício, que testemunhou capítulos significativos da história local, está em estado deplorável, com suas portas barricadas por tábuas e cobertas de pichações. Localizado no Centro Histórico de Cuiabá, o imóvel é tombado como patrimônio tanto do Estado quanto da União, mas há anos não recebe visitantes.
“Esse edifício é muito mais do que uma simples construção; ele carrega uma rica identidade histórica. Lamentavelmente, assistimos a uma estratégia equivocada de apagamento da memória, onde se nega o passado e se ignora nossas origens”, afirma Edevamilton de Lima Oliveira, professor e historiador do Instituto Memória, vinculado à Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Oliveira enfatiza que o estado atual do casarão é um claro reflexo do descaso das gerações atuais em relação à preservação da identidade cultural.
Um Marco para Cuiabá
Erguido em 1776 inicialmente para funcionar como armazém de materiais bélicos, o casarão foi transformado, em julho de 1835, na sede da primeira Assembleia Legislativa Provincial. Um mês depois, em um dos eventos mais importantes que marcaram sua história, foi aprovada uma lei que resultou na transferência da capital de Vila Bela da Santíssima Trindade para Cuiabá, um movimento crucial para o desenvolvimento político da região.
Oliveira destaca que o prédio é um símbolo da memória política de Mato Grosso, especialmente considerando que, naquela época, o estado abrangia áreas que hoje pertencem a Rondônia e Mato Grosso do Sul. As sessões da Assembleia em Cuiabá eram um verdadeiro desafio logístico, pois os deputados viajavam de longas distâncias para participar das discussões, que se prolongavam por até 60 dias.
Este cenário evidencia a importância do casarão não apenas como um espaço físico, mas como um centro nevrálgico da política mato-grossense, que merece ser preservado e celebrado. No entanto, o que se vê hoje é um descaso que contrasta com o valor histórico que o local representa.
O Chamado à Ação
Com a deterioração contínua do casarão, surge a necessidade de mobilização por parte da sociedade e dos órgãos governamentais. A falta de atenção a esse patrimônio cultural deve ser revertida não apenas por questões estéticas, mas por uma questão de identidade e respeito ao legado histórico que ele representa para o povo mato-grossense.
“Quando um edifício como esse se deteriora, é uma prova de que a sociedade, especialmente os gestores atuais, falharam em manter viva a memória e a identidade local. É fundamental que a população se una em prol da preservação deste patrimônio”, conclui Oliveira. As vozes que clamam por ação ecoam na cidade, pedindo um olhar atento para a história e a cultura que moldaram a identidade de Cuiabá.
