Iniciativa para a Agricultura Familiar
No intuito de enfrentar a crise que afeta a agricultura familiar na Baixada Cuiabana, o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, revelou a criação do plano de metas denominado “Mato Grosso 2050”. O lançamento ocorreu durante uma reunião na última segunda-feira (16), que contou com a presença de diversos representantes do setor agrícola.
O plano traz como prioridade o fortalecimento da agricultura familiar, que atende aproximadamente 35 mil famílias de pequenos produtores que enfrentam sérias dificuldades estruturais, incluindo a carência de infraestrutura básica e a baixa produtividade. Uma das metas do projeto é incentivar a permanência de jovens no campo, considerando o envelhecimento da população rural.
Conforme Sérgio Ricardo, o objetivo do Mato Grosso 2050 é estabelecer políticas de longo prazo voltadas ao desenvolvimento regional. Ele enfatizou a importância de assegurar condições mínimas para a atividade agrícola, como o acesso à energia elétrica, moradia digna e água potável, além de criar viabilidades econômicas para os produtores locais.
Durante o encontro, representantes do setor alertaram sobre o risco de um possível enfraquecimento da agricultura familiar nos próximos anos. Gilmar Brunetto, presidente do Sinterp-MT, destacou que a maioria dos trabalhadores rurais está na faixa etária acima dos 65 anos, o que pode ameaçar a continuidade dessas atividades sem a implementação de políticas que incentivem os jovens.
Além disso, os participantes ressaltaram a diminuição dos investimentos em programas de extensão rural e o sucateamento dos centros de pesquisa, elementos que afetam diretamente a produtividade e a sustentabilidade do setor agrícola. O contexto da Baixada Cuiabana também revela uma tendência de migração para áreas urbanas, impulsionada pela escassez de oportunidades no meio rural.
A situação exposta por Sérgio Ricardo evidencia os contrastes socioeconômicos presentes em Mato Grosso, onde coexistem regiões altamente produtivas e áreas com grande vulnerabilidade. Em resposta aos desafios, o presidente do TCE propôs a realização de uma mesa técnica destinada a aprofundar o debate sobre o plano e consolidar diretrizes efetivas para sua implementação.
O desenvolvimento do “Mato Grosso 2050” contará com a colaboração de universidades, entidades e representantes do setor produtivo. Entre as alternativas discutidas estão a necessidade de investimentos em infraestrutura, a ampliação da irrigação utilizando o reservatório de Manso e o incentivo à produção de itens com maior valor agregado, como forma de garantir renda e sustentabilidade para os pequenos produtores. Essas ações visam não apenas a recuperação da agricultura familiar, mas também a promoção da justiça social e econômica na região.
