Um Cenário de Desafios
Ser mulher na política significa estar na vanguarda de debates cruciais e, ao mesmo tempo, lidar com obstáculos que vão além da luta por políticas públicas. Para muitas, ocupar um espaço ainda predominantemente masculino implica diariamente em confrontar uma forma insidiosa e persistente de violência política de gênero.
A violência política de gênero, conforme definida pela legislação brasileira, refere-se a qualquer ação ou conduta que, com base no gênero, busca limitar, impedir ou anular a participação das mulheres em processos políticos. Essa realidade não pode ser encarada como uma opinião isolada ou um evento pontual; ela é estrutural e se apresenta de maneira sutil, muitas vezes disfarçada sob o manto de “piadas”, ou de forma explícita, como ataques pessoais que refletem vivências dolorosas para muitas legisladoras, candidatas e colaboradoras políticas em nosso país.
Manifestação da Violência em Mato Grosso
No estado de Mato Grosso, essa violência se manifesta de diversas maneiras. Diariamente, ouço relatos de prefeitas, vereadoras e secretárias que afirmam que o simples fato de estarem em posições de poder já as torna alvos de ataques que tentam desqualificar sua inteligência, capacidade de decisão e legitimidade. Em eventos públicos, plenários e redes sociais, a mulher política é frequentemente alvo de linguagem misógina, desconfiança aberta sobre sua voz e, muitas vezes, silenciamentos que se disfarçam como críticas. Essa situação não apenas desestimula a presença feminina, mas também reduz a diversidade de perspectivas necessárias na formulação de políticas públicas.
Quando uma mulher é atacada em razão de seu gênero, tendo sua voz reduzida a estereótipos ou sua competência questionada simplesmente por não ser homem, a democracia como um todo sofre. A representatividade feminina não é apenas um enfeite no jardim político; é uma ferramenta essencial para fortalecer instituições, criar políticas mais inclusivas e oferecer respostas mais eficazes a questões que afetam diretamente a população feminina.
Impactos Diretos na Sociedade
Os impactos dessa situação são alarmantes em Mato Grosso, que se encontra entre os estados brasileiros com as maiores taxas de violência contra a mulher, incluindo feminicídios. Essa realidade perdura há anos e clama por respostas urgentes. Entre 2022 e 2025, o estado registrou quase 200 feminicídios, um número que exige não apenas indignação, mas também um compromisso com ações políticas consistentes voltadas para proteção e prevenção.
A violência estrutural que atinge as mulheres ressoa também no espectro político. A insegurança física, social e institucional reduz a disposição de muitas a se candidatarem para representar suas comunidades. É um ciclo que precisamos romper.
Um Compromisso com a Inclusão
Minha trajetória como deputada estadual em Mato Grosso tem sido marcada por esse enfrentamento direto. Não se trata apenas da luta por políticas públicas que protejam as mulheres — com mais de 20 leis aprovadas sobre esta temática —, mas da firme determinação de que nenhuma forma de violência, seja ela física, psicológica ou política, pode silenciar uma voz que representa milhares de cidadãs e cidadãos.
2026 é um ano eleitoral, e meu objetivo é incentivar a participação de mais mulheres na política. Essa não é uma ambição pessoal isolada, mas parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer a presença feminina nas instâncias decisórias. É transformar o que historicamente foi uma porta trancada em uma estrada aberta, mostrando que mulher na política não é exceção; é sinônimo de competência, resistência e legitimidade.
Por um Futuro com Mais Mulheres no Poder
Mato Grosso precisa de mais mulheres em posições de poder, não apenas como uma necessidade simbólica, mas porque sabemos ouvir, construir consensos e abordar questões com profundidade técnica e sensibilidade social. Ser mulher na política aqui é enfrentar preconceitos, lutar contra tentativas de silenciar nossa voz e, ao mesmo tempo, desenvolver políticas que protejam outras mulheres da violência que, infelizmente, ainda vitima tantas vidas.
É preciso transformar a realidade com estrutura, estratégia e poder real — político e institucional. No Dia Internacional da Mulher, mais do que homenagens, precisamos de um compromisso com maior representatividade, respeito e mais mulheres ocupando os espaços onde as decisões são tomadas. Afinal, flores podem ser importantes, mas o que realmente transforma a realidade é a presença, a voz e o poder.
