Gabriel Almeida: O Cuiabano que Está Levando o Nome de Mato Grosso ao Mundial de Kung Fu
Aos 27 anos, Gabriel Almeida, natural de Cuiabá, fez história ao representar o Brasil no Campeonato Mundial de Kung Fu Wushu 2025, que ocorreu em Brasília. Ele é o único atleta mato-grossense a integrar a Seleção Brasileira de Kung Fu (CBKW) e a Federação Mato-Grossense de Kung Fu Wushu (FMTKW), sendo um dos cinco brasileiros convocados para um evento que reuniu cerca de 80 países. A trajetória de Gabriel é marcada por disciplina, superação e um forte comprometimento, e ele já está de olho nos próximos desafios para o Mundial de 2027, que será realizado nas Filipinas.
Convidado pela RDM Online a compartilhar um pouco sobre sua trajetória, Gabriel relembra que sua relação com o kung fu começou na infância, inspirada por seu pai. Contudo, problemas de saúde impediram seu avanço na prática. Após um hiato, em 2017, ele decidiu retornar ao esporte. Desde então, sua dedicação nunca foi a mesma, e ele treinou incansavelmente para voltar a competir.
Gabriel cresceu no CPA 3, mas se mudou para o bairro Tancredo Neves e, posteriormente, para o Residencial Nova Canaã, na região de Três Barras. Assim que completou 18 anos, ele voltou a treinar e começou a competir, superando suas inseguranças ao longo do caminho. “A virada de chave aconteceu em 2017, quando resolvi voltar ao kung fu”, conta Gabriel. Antes disso, o atleta experimentou diversas modalidades, como futebol e vôlei, mas encontrou sua verdadeira paixão nas artes marciais.
“Representar o Brasil e Mato Grosso no campeonato foi uma responsabilidade imensa. Desde 2017, me dediquei muito. Fui convocado apenas em 2022, após cinco anos de trabalho. Isso representa a culminação de um esforço intenso e o orgulho de vestir a camisa da Seleção”, enfatiza Almeida, com ênfase na importância de sua trajetória e do sacrifício realizado.
Desafios da Seleção Brasileira
Quando questionado sobre os desafios de estar na Seleção, Gabriel afirma que conquistar a vaga é apenas o começo: “Permanecer é ainda mais difícil. É preciso estar sempre se aperfeiçoando. A competição é intensa, e há sempre novos talentos competindo por um lugar.” A convocação aconteceu após a seletiva em abril, e a antecipação da notícia trouxe um novo marco na sua preparação. “O treinamento se intensificou, principalmente na parte de perda de peso”, explica.
Na competição, Gabriel alcançou as quartas de final, um feito respeitável para sua estreia em um evento mundial. “O Mundial é uma competição que exige coragem e confiança. Quando você chega lá, sente o peso da responsabilidade. É normal sentir um bloqueio inicial, mas isso faz parte do processo”, reflete o atleta.
O Apoio da Torcida e a Competição em Casa
Competir em casa teve um impacto positivo em seu desempenho. “Quando você vê a torcida brasileira gritando seu nome, isso traz uma motivação extra. A energia é contagiante e eleva a sua vontade de lutar ainda mais”, destaca Gabriel, ao recordar a experiência de atuar diante de compatriotas.
Ele também comentou sobre os desafios impostos pelas viagens internacionais e como a adaptação ao fuso horário pode influenciar o desempenho. “Quando competi na China, enfrentei uma diferença de 12 horas. Isso realmente afeta o corpo e torna a adaptação mais complicada”, disse.
Sobre os adversários internacionais, Gabriel percebeu que o estilo de luta pode variar bastante. “O kung fu é uma arte marcial de origem asiática, e muitos atletas ocidentais tentam imitar o estilo deles. Mas temos que valorizar nossa identidade e reconhecer que somos diferentes”, destaca, enfatizando que a chave é transformar diferenças em pontos fortes.
A Importância do Apoio e Inspiração para Novos Atletas
Gabriel acredita que o apoio da equipe técnica e dos treinadores foi crucial durante a competição. A relação com os técnicos se torna diferente quando se está representando o estado em uma competição maior. “A confiança e a conexão com meu mestre são fundamentais. Mas na Seleção, é uma nova dinâmica, e realmente exige um período de adaptação”, explica.
Após o Mundial, o atleta compartilha sua gratidão pela oportunidade e sua aspiração de inspirar jovens atletas. “Quero ser uma referência e mostrar que o esporte pode transformar vidas”, afirma. Gabriel também falou sobre a importância da disciplina e do foco, não apenas no kung fu, mas em todas as áreas da vida.
Com os olhos voltados para o futuro, Almeida planeja participar da seletiva da Seleção Brasileira em março de 2026 e compete em várias outras competições que lhe ajudarão a acumular pontos para o Mundial de 2027. “Meu foco é garantir minha vaga e me manter entre os melhores”, encerra, cheio de determinação.
