Projeto de Cidade Planejada
No cenário político e social de Mato Grosso, um novo projeto arquitetônico está em pauta: a criação de uma cidade planejada, provisoriamente chamada Nova Aliança do Norte, que visa homenagear o ministro do STF, Gilmar Mendes. Idealizado por Eraí Maggi, o empreendimento será erguido em uma área que limita os municípios de Diamantino, onde Mendes nasceu, e São José do Rio Claro. O conceito envolve a doação de terras pela família Mendes e por Eraí, preparando o terreno para um novo município a cerca de 300 quilômetros da capital, Cuiabá. Em um áudio que circulou nas redes, Eraí chegou a se referir ao local de forma informal como “Gilmarmendeslândia”.
Para que “Gilmarlândia” se torne realidade, será necessário não apenas construir residências e infraestrutura, mas também superar a burocracia envolvida na criação de um novo município. Atualmente, cerca de 400 processos aguardam há mais de uma década a aprovação de uma lei complementar que regulamenta a fusão, incorporação e criação de municípios, estabelecendo critérios mais rigorosos em comparação à década de 1990, quando houve um boom de emancipações, incluindo cidades com viabilidade econômica questionável.
Burocracia e Legislação
A nova normativa exige que os processos sejam analisados pelas assembleias legislativas estaduais, sendo necessária a aprovação de 20% dos eleitores da região a ser emancipida. Para fusões ou incorporações, esse percentual é reduzido a 3%. Além disso, a legislação estipula uma população mínima de seis mil habitantes para o novo município, no caso de Mato Grosso.
No período de dez anos, apenas uma cidade, Boa Esperança do Norte, conseguiu se emancipar. Sem a lei complementar, o caso foi parar no Supremo Tribunal Federal, onde Gilmar Mendes foi o responsável pelo voto que garantiu, em outubro de 2023, a criação da nova cidade. Caso a nova cidade se concretize, ela será a 143ª de Mato Grosso, contando com um planejamento de infraestrutura que deve atender as famílias de trabalhadores rurais da região, atualmente distantes de escolas, hospitais e serviços públicos.
Justificativa para a Criação
Durante o lançamento do projeto, Eraí Maggi, chamado de Rei da Soja, enfatizou a necessidade de criar uma cidade que facilite a vida dessas famílias, atualmente a mais de cem quilômetros de onde trabalham. O evento contou com a presença de Gilmar Mendes, do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi (PSB), e diversos prefeitos e empresários que apoiam a iniciativa.
Em uma conversa com o portal Alvorada MT, Mendes destacou a relevância de um núcleo de apoio para as famílias da região, mencionando que a ideia de um distrito administrativo é um sonho antigo de Eraí Maggi. Ele comparou a futura “Gilmarlândia” à Deciolândia, outra localidade que possui características semelhantes e já é um caso de sucesso.
Max Russi também se mostrou otimista, afirmando que não existem barreiras na ALMT para a criação do novo município, assegurando total apoio da Casa. Embora tenha sido procurado, Mendes não se manifestou oficialmente por meio de sua assessoria sobre o projeto.
Uma Tradição Histórica
A prática de nomear cidades em homenagem a figuras proeminentes é uma tradição que remonta ao período imperial brasileiro. Muitas cidades, como Petrópolis e Teresópolis, foram nomeadas em honra ao imperador Dom Pedro II e à imperatriz Teresa Cristina, respectivamente. A princesa Isabel também inspirou o Barão de Paty do Alferes em um projeto para a criação de Isabelópolis, que nunca se concretizou devido a um surto de cólera na época. Assim, a proposta de “Gilmarlândia” se insere em uma longa linhagem de homenagens que refletem a história e a cultura política do Brasil.
