Mercado em Acomodação e Expectativas para o Dia das Mães
A semana que antecede o Dia das Mães, uma das datas mais esperadas para o consumo de carnes no Brasil, trouxe uma desaceleração no mercado físico do boi gordo. Os preços estão apresentando sinais de acomodação, resultado da combinação de uma demanda interna moderada e uma maior concorrência entre as proteínas. As indústrias frigoríficas, por sua vez, estão abordando o cenário com cautela, refletindo em suas compras de animais para abate.
De acordo com Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, frigoríficos situados em estados como São Paulo, Goiás e Minas Gerais têm buscado elongar as escalas de abate, oferecendo preços mais baixos. Em contraste, no estado de Mato Grosso, observou-se um encurtamento das escalas, levando algumas indústrias a reajustar os preços para assegurar o abastecimento.
Monitoramento das Exportações de Carne Bovinas
Além da dinâmica do mercado interno, o setor pecuário está atento à evolução da cota de exportação de carne bovina para a China. A previsão é de que o limite atual seja alcançado no mês de junho, o que gera incertezas quanto ao ritmo das exportações brasileiras no terceiro trimestre de 2026. A China mantém-se como o principal destino da carne bovina do Brasil, e qualquer mudança neste fluxo pode impactar diretamente a formação de preços da arroba no mercado nacional.
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preços da Arroba do Boi Gordo em Diferentes Estados
No que diz respeito à modalidade a prazo, os preços da arroba do boi gordo se mostraram estáveis na maioria das praças pecuárias monitoradas até o dia 7 de maio:
- São Paulo (Capital): R$ 350,00 por arroba, queda de 2,78% em relação aos R$ 360,00 da semana anterior;
- Goiás (Goiânia): R$ 340,00 por arroba, recuo de 1,45%;
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 340,00 por arroba, estável;
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 350,00 por arroba, sem alterações;
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 360,00 por arroba, estável;
- Rondônia (Vilhena): R$ 330,00 por arroba, sem mudanças em comparação ao mês anterior.
Concorrência e Acomodação no Mercado Atacadista
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No mercado atacadista, a acomodação de preços se mantém mesmo em um período que tradicionalmente favorece o aumento do consumo, impulsionado pelo recebimento de salários e pelo Dia das Mães. Iglesias observa que os atuais níveis de preços da carne bovina limitam novos aumentos, dado que muitos consumidores têm enfrentado dificuldades para absorver reajustes no varejo. A carne bovina, assim, perde competitividade para proteínas mais acessíveis, especialmente a carne de frango, que continua a ganhar espaço nas compras domésticas.
Os cortes bovinos apresentaram os seguintes preços médios na última semana:
- Quarto do dianteiro: R$ 23,00 por quilo, queda de 2,13%;
- Cortes do traseiro: R$ 28,00 por quilo, recuo de 1,75%.
exportações de carne bovina: Números Robustos em Abril
Apesar da acomodação no mercado interno, as exportações de carne bovina do Brasil mostraram-se robustas em abril. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam que o Brasil exportou 251,944 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada em abril, considerando 20 dias úteis. A receita totalizou US$ 1,572 bilhão, com uma média diária de US$ 78,625 milhões, e o preço médio por tonelada alcançou US$ 6.241,50.
Na comparação com abril de 2025, os resultados evidenciam:
- Crescimento de 29,4% na receita média diária;
- Um aumento de 4,3% no volume médio diário embarcado;
- Uma alta de 24,1% no preço médio da tonelada.
Esse desempenho nas exportações tem sido um dos principais sustentáculos para o setor pecuário brasileiro, especialmente em tempos de cautela no consumo interno.
