Baixa cobertura vacinal contra HPV em Mato Grosso
A vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano) em Mato Grosso permanece abaixo do ideal, apresentando uma cobertura de apenas 45,9% entre os adolescentes do estado. Este número coloca Mato Grosso como o segundo estado com a menor taxa de vacinação do Brasil, superando apenas o Acre, que registra 38%. Em contrapartida, o Amazonas lidera o ranking com 62% de cobertura vacinal. Os dados são provenientes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que ressalta a necessidade urgente de combater a desinformação e as desigualdades sociais que afetam a vacinação.
Segundo a pesquisa, que abrange estudantes de 13 a 17 anos, a cobertura em Mato Grosso está aquém da média nacional, que é de 54,9%. A capital, Cuiabá, acompanha essa tendência preocupante, alcançando apenas 45,2%, o que demonstra que a cidade também enfrenta desafios significativos para aumentar seu índice de vacinação.
Impactos da desinformação
Um dos fatores mais relevantes que contribuem para essa baixa cobertura vacinal é a falta de conhecimento sobre a vacina. Embora a vacina contra o HPV seja crucial para prevenir complicações graves, como o câncer de colo do útero, mais da metade dos adolescentes em Mato Grosso ainda se encontra desinformada e desprotegida. Os pesquisadores enfatizam que a prevenção é especialmente importante durante o início da adolescência, fase em que muitos começam a explorar sua sexualidade.
Entre os principais motivos que têm levado os adolescentes a não se vacinarem, destacam-se: a falta de informação, com 38,9% afirmando que não sabiam que a vacina era necessária; 21,2% indicam que o responsável não quis que fossem vacinados; e 10,7% não sabiam qual é a utilidade da vacina.
Desigualdades na vacinação
Mato Grosso, assim como outras regiões do país, demonstra desigualdades significativas na cobertura vacinal entre os adolescentes. As meninas apresentam uma taxa de vacinação maior, com 51,4%, em comparação aos meninos, que têm apenas 40,8% de cobertura. Além disso, os estudantes da rede privada, com 56,3%, superam os da rede pública, que alcançam 44,7%. A idade também é um fator determinante: adolescentes mais velhos, aqueles com 16 e 17 anos, costumam estar mais protegidos.
O estudo sugere que uma possível explicação para a menor cobertura vacinal entre os adolescentes de 13 a 15 anos está relacionada ao fato de que muitos ainda não iniciaram a vida sexual. A desinformação continua a ser um obstáculo significativo, desmotivando a vacinação nessa faixa etária. “Essas diferenças apontam que o problema da vacinação não é apenas uma questão de oferta, mas também de acesso à informação e do engajamento das famílias”, conclui o levantamento.
