Aumento da Oferta de Etanol e Queda nos Preços
Após um período prolongado de preços elevados, o litro do etanol começa a registrar queda nos postos de Cuiabá. Na manhã do dia 16 de abril, consumidores encontraram o biocombustível com preços variando entre R$ 4,50 e R$ 4,57 nas estações da região central, uma redução de quase R$ 0,20 em relação às semanas anteriores, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Essa leve diminuição interrompe uma sequência de altas que marcou o início do ano, quando o preço chegou a R$ 4,69 logo na primeira semana. Embora tenha registrado pequenas quedas nos dias subsequentes, os valores voltaram a subir em fevereiro, alcançando R$ 4,79 na segunda semana do mês. Durante o mês de março, os preços se mantiveram quase estáveis até o início de abril, momento em que começou a aparecer um sinal de acomodação.
Contexto do Mercado e Influências na Queda dos Preços
O que se observa agora nos postos sugere que o setor pode estar entrando em um novo ciclo de preços, principalmente devido ao crescimento da oferta nacional. A safra 2026/27 de cana-de-açúcar, em especial nas regiões do Sudeste, está aumentando a disponibilidade de etanol e pressionando os preços para baixo.
Relatórios do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que diversas usinas intensificaram suas vendas nas últimas semanas, antecipando-se a possíveis quedas mais acentuadas. Mesmo com interrupções pontuais na moagem em decorrência das chuvas, a tendência de baixa foi mantida. A expectativa é de continuidade da produção com o clima mais seco, o que deve reforçar ainda mais a oferta.
Alterações na Produção e Expectativas Futuras
Outro aspecto importante é a reformulação nas estratégias de produção das usinas. Diante de preços menos atrativos no mercado de açúcar e um cenário internacional instável, algumas usinas estão redirecionando uma maior quantidade de matéria-prima para a produção de etanol. Essa mudança não apenas aumenta a disponibilidade do biocombustível, mas também contribui para a diminuição dos preços.
A consultoria Safras & Mercado projeta que a produção total de etanol, englobando tanto a cana quanto o milho, pode atingir cerca de 43 bilhões de litros nesta safra, um aumento significativo em comparação aos 37 bilhões registrados anteriormente. Esse crescimento também é impulsionado pela elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina, que subiu de 27% para 30% e pode chegar a 35% até o final do ano.
Comparação com a Gasolina e Impactos Econômicos
Apesar da recente queda nos preços em Cuiabá, o comportamento do etanol se apresenta como mais estável do que o da gasolina. Em tempos de volatilidade nos preços do petróleo no mercado internacional, o biocombustível se torna um amortecedor, proporcionando maior previsibilidade. Enquanto a gasolina sofreu reajustes em março, o etanol conseguiu manter variações mais controladas, o que se reflete em competitividade para o consumidor.
No cenário nacional, a relação entre os preços dos dois combustíveis ainda favorece o uso do etanol. A paridade está abaixo do limite técnico de 73%, o que torna o abastecimento com o álcool uma opção mais vantajosa para os veículos flex. Essa situação ajuda a sustentar a demanda, mesmo em um contexto econômico incerto.
Benefícios Econômicos e Tendências Futuras
Além de beneficiar o consumidor diretamente, a produção de etanol também tem um papel macroeconômico significativo. Ao reduzir a dependência de importações de gasolina, o biocombustível contribui para a diminuição de custos e fortalece a matriz energética do Brasil. Estimativas do setor indicam que, apenas em março, o etanol evitou gastos de até R$ 2,5 bilhões com combustíveis fósseis importados.
As expectativas para as próximas semanas indicam que os preços do etanol devem continuar sob pressão, acompanhando o aumento na produção e o avanço da safra. Contudo, especialistas alertam que fatores como clima, velocidade da moagem e a dinâmica da demanda ainda podem impactar o mercado.
