Desafios Climáticos e Alta na Produção de Soja
A safra de soja de 2025/26 em Mato Grosso está prestes a fechar com números impressionantes, totalizando uma produção estimada de 51,56 milhões de toneladas. Contudo, o ciclo foi repleto de obstáculos que impediram um desempenho ainda mais robusto. Os dados foram apresentados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta segunda-feira (6), em Cuiabá, durante o evento que divulgou os resultados do projeto Imea em Campo. Este projeto percorreu 103 municípios ao longo de 71 dias e realizou 998 avaliações em quase toda a área cultivada do estado, garantindo uma análise detalhada da safra.
A nova projeção indica um crescimento de 1,31% em relação ao ciclo anterior e uma revisão significativa em comparação com as estimativas iniciais. Por exemplo, a produtividade média foi ajustada de 60,45 sacas por hectare para 66,03 sacas, um aumento considerável de 9,23%. Além disso, a área cultivada subiu para 13,013 milhões de hectares, com uma alta de 1,71%.
Entretanto, o cenário ao longo da safra não foi estável. A irregularidade das chuvas, que afetou o início do plantio, combinada com o excesso de precipitações durante a colheita, teve um impacto direto nas lavouras, especialmente na qualidade dos grãos.
Desempenho e Qualidade dos Grãos em Debate
Henrique Eggers, analista do Imea, destacou que este ciclo foi uma mescla de condições favoráveis e adversidades. “Este ano foi bastante desafiador. Embora tenhamos recebido boas quantidades de chuva, o início e a colheita foram marcados por problemas significativos. A falta de chuva no começo e o excesso posterior impactaram a qualidade e o peso dos grãos”, afirmou.
Um dos pontos críticos foi o aumento na quantidade de grãos avariados. O levantamento indicou um crescimento de 3,40% nesse tipo de ocorrência em comparação com a safra anterior, o que limitou ganhos de produtividade mais expressivos.
Apesar das dificuldades, o desempenho geral foi considerado positivo, especialmente diante das incertezas enfrentadas durante o ciclo. Cleiton Gauer, superintendente do Imea, ressaltou a resiliência do setor produtivo. “O destaque dessa safra foi a capacidade de resposta do Estado. Mesmo com a falta de chuva no começo e a excessiva em algumas regiões, Mato Grosso conseguiu manter uma produtividade elevada, muito próxima da temporada anterior”, comentou.
Diferenças Regionais e Qualidade da Informação
A análise regional evidencia as variações dentro do próprio estado. O Norte foi a região que apresentou a maior proporção de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou as áreas com desempenho inferior. A região Oeste teve um papel crucial no aumento da produção total, e a Centro-Sul destacou-se pela maior evolução na produtividade em relação às previsões iniciais.
Além do volume de produção, a qualidade das informações coletadas também foi sinalizada como um diferencial do levantamento. Gauer destacou que o trabalho realizado diretamente nas lavouras, sem intermediários, proporciona maior segurança e precisão na medição da produção mato-grossense.
“O diferencial do projeto reside na apuração direta nas lavouras. Isso garante mais confiança nos dados apresentados ao mercado”, explicou.
Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso, ressaltou a importância desse nível de detalhamento. “O Imea tem sido extremamente assertivo nas informações que fornece, o que traz seriedade e auxilia tanto os produtores quanto o mercado a tomarem decisões mais informadas, principalmente em termos de preços e planejamento”, afirmou.
Rentabilidade e Desafios Futuros
Apesar do resultado positivo em termos de volume, a rentabilidade continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelos produtores. Custos elevados, variações cambiais e incertezas no cenário internacional pressionam as margens e tornam o planejamento ainda mais complicado.
Adicionalmente, embora Mato Grosso mantenha a produção em patamares elevados, superando 50 milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo, o ritmo de expansão tem desacelerado, refletindo as limitações econômicas e climáticas que ainda afetam o setor.
