A História do Lambadão em Cena
A última noite das comemorações de aniversário de Cuiabá foi um verdadeiro tributo aos amantes do lambadão, reunindo uma plateia fervorosa e diversos artistas regionais. O grande destaque da festa ficou por conta do grupo de dança Lambadeiros de Elite, que subiu ao palco com cerca de 30 dançarinos, todos entrosados e animados. O espetáculo não apenas celebrou essa dança vibrante, mas também trouxe à tona toda a trajetória histórica do lambadão, que nasceu em Poconé (MT) e se enraizou fortemente em Cuiabá e Várzea Grande. Durante a apresentação, os membros do grupo dançaram entre os outros shows, acrescentando uma dose extra de entusiasmo ao evento. Essa interação também serve como um incentivo para a constante evolução dos integrantes, que totalizam cerca de 100 no grupo.
“Criamos uma coreografia única em que contamos a evolução do estilo de dançar de Mato Grosso. Iniciamos com o rasqueado e o lambadão raiz, legado de Chico Gil, passando pela lambadinha, o lambaçu e o carimbó, até chegar ao lambadão moderno que ainda anima as festas hoje em dia. O repertório é uma celebração dessa evolução, um espetáculo que preparamos para fortalecer e manter vivo o lambadão”, revelou Vladimir Reis, diretor do grupo.
A Apreciação do Povo pelo Lambadão
Vladimir também compartilha a percepção de que a população tem uma forte conexão com o lambadão. “É a nossa essência. Onde quer que você vá na Baixada Cuiabana, o povo ama dançar lambadão. Mesmo quem não conhece acaba se rendendo ao ritmo”, disse ele.
Esse amor pela dança foi confirmado pelo casal Adriele Alice Moraes Costa e Jhonatan Cleber Dias Silva, que estavam no Jardim União, em Cuiabá. Eles contaram que o lambadão é presença garantida em suas vidas. “Não podíamos perder essa festa. Adoramos o lambadão, viemos principalmente por causa dele. Até o nosso filho Theo, de apenas 2 anos, já sabe dançar. O lambadão é uma constante na nossa casa”, comentou Adriele.
Compromisso com a Cultura Local
O grupo Lambadeiros de Elite se destaca não apenas por suas apresentações, mas também pelo trabalho que desenvolve em diferentes contextos, oferecendo workshops e aulas gratuitas abertas a todos que desejem participar. Essa iniciativa visa preservar a cultura do rasqueado, lambadão e lambadinha, e proporciona ao público a oportunidade de apreciar o resultado em eventos como o aniversário de Cuiabá.
O evento também foi um marco para a classe artística regional, reunindo mais de 50 atrações em quatro dias de festividades. Para Johnny Everson, secretário municipal de Cultura, foi realizada uma de suas aspirações: dar espaço e visibilidade aos artistas locais. “Sempre sonhei em valorizar esses talentos, proporcionando estrutura profissional e um tratamento digno. Sou imensamente grato ao prefeito Abilio Brunini por todo o apoio”, enfatizou.
O Valor do Lambadão na Cultura Cuiabana
Vladimir destacou a relevância desse tipo de ação, especialmente por conta do lambadão. “É essencial, pois o povo não só aprecia, mas espera. Eu também sou presidente do Instituto Digoreste, responsável pela produção de diversos eventos como rodeios, festas e feiras. É imprescindível incluir o lambadão e as apresentações locais, pois isso é o que o público deseja. Estamos muito gratos por fazer parte da comemoração dos 307 anos de Cuiabá”, afirmou.
Para que mais de 50 atrações pudessem se apresentar, todos os artistas concordaram em reduzir seus cachês em prol de um objetivo comum, demonstrando união e compromisso com a cultura local. Johnny Everson também ressaltou que os artistas regionais possuem um grande potencial, mas carecem de oportunidades. Iniciativas como as do aniversário de Cuiabá são fundamentais para projetá-los em nível nacional, e a colaboração entre artistas e o poder público é vital para fortalecer a cultura local.
O secretário destacou que, sem a ajuda da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, a realização do evento não teria alcançado essa magnitude.
Atividades do Grupo Lambadeiros de Elite
Para quem ainda não conhece, o grupo de dança Lambadeiros de Elite organiza apresentações na Orla do Porto 2, às quintas-feiras, e na praça do Parque da Nascente, às quartas-feiras, sempre às 20h. As aulas são gratuitas e o projeto já existe há 11 anos.
Além disso, promovem workshops com o intuito de manter o rasqueado vivo nas escolas e comunidades. A partir de junho, serão realizados 10 finais de semana de atividades que abordarão a história do rasqueado, do lambadão e as legislações que reconhecem o lambadão como patrimônio cultural, tanto em Cuiabá quanto em nível estadual. Ao final do ciclo, será realizado um grande aulão com todos os participantes.
O grupo já se apresentou em diversos programas de televisão de alcance nacional, incluindo o da Regina Casé na TV Globo, e se destacou durante a Copa do Mundo de 2014, quando Cuiabá foi uma das cidades-sede.
Vladimir explica que há um mapeamento das cidades em que as bandas de lambadão de Cuiabá se apresentam, com pelo menos 50 localidades diferentes. “Todo fim de semana, essas bandas têm a oportunidade de tocar em uma cidade diferente. Enquanto Cuiabá e Várzea Grande são os grandes polos do lambadão, Poconé é o berço que deu origem a esse estilo que se popularizou na capital”, finalizou.
