Oposição à Transferência do Hospital Júlio Müller
O novo secretário de Saúde de Mato Grosso, Juliano Melo, expressou sua preocupação em relação à gestão do Hospital Universitário Júlio Müller, que pode passar a ser de responsabilidade de Santo Antônio de Leverger. De acordo com a análise técnica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), a unidade foi projetada com base na estrutura assistencial de Cuiabá, tanto em termos de pactuação com o Sistema Único de Saúde (SUS), quanto na alocação de recursos e no atendimento à população local.
“É importante ressaltar que a pactuação do Júlio Müller foi estabelecida com Cuiabá. Os recursos federais destinados ao custeio vão para Cuiabá, assim como a população atendida é originária dessa capital,” enfatizou Melo, destacando a relevância da continuidade desse entendimento.
A Mudança Territorial e Seus Impactos
A discussão sobre a transferência do hospital se intensificou após a promulgação das Leis nº 13.227/2026 e nº 13.228/2026, propostas pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD), que redefiniram os limites territoriais e incluíram a área onde o hospital está sendo erguido no território de Santo Antônio de Leverger. Essa modificação gerou uma disputa administrativa sobre quem deve gerenciar a nova unidade, além de levantar questões sobre as licenças e regulamentações necessárias para operação dentro do SUS.
A preocupação em relação à situação é significativa, considerando que o novo Hospital Júlio Müller está em construção na MT-040, numa área de 147 hectares, com uma edificação que ocupa 58,3 mil metros quadrados. O projeto prevê a construção de oito blocos, que conterão 228 leitos de internação, 68 leitos de repouso e 63 UTIs, incluindo leitos pediátricos e neonatais. Originalmente previsto para ser entregue durante a Copa do Mundo de 2014, o hospital enfrentou longos períodos de paralisação e, atualmente, é visto como um dos principais avanços na saúde pública do Estado.
Insegurança Administrativa e Propostas de Solução
A mudança no perímetro gerou um cenário de insegurança administrativa para a Prefeitura de Cuiabá, que argumenta que a modificação afeta alvarás, licenças e o contrato de gestão que vincula a saúde pública à cidade. Em contrapartida, a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marluce Souza e Silva, sugeriu que o estado assuma a gestão do hospital na falta de consenso entre os municípios, considerando a importância e os custos envolvidos na manutenção da unidade.
Por outro lado, a prefeita de Santo Antônio de Leverger, Francieli Magalhães (PSB), defende que o hospital deve permanecer no município, alegando que a área sempre fez parte historicamente da cidade. Em meio a essa disputa, o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (PSB), informou que Santo Antônio teria um prazo de 15 dias para demonstrar sua capacidade técnica e administrativa para manter o Hospital Universitário Júlio Müller em seu território, mas até o momento, a questão não avançou em busca de uma solução.
Perspectivas Futuras e a Estrutura do SUS
Para Juliano Melo, é crucial que a discussão sobre a gestão do hospital leve em consideração a estrutura já estabelecida da rede pública de saúde. “A lógica do SUS deve ser respeitada. O hospital só faz sentido se mantivermos essa estrutura, atendendo a Baixada Cuiabana e todo o estado, sob a gestão municipal de Cuiabá. Transferir a gestão para Santo Antônio não só complicaria o atendimento como exigiria um esforço descomunal do município, que não está preparado para isso. Nossa recomendação é que a gestão permaneça com Cuiabá, visto que a pactuação PPI está com a capital, determinando quem é responsável pelo atendimento,” concluiu Melo.
